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Quando alguém joga uma bomba em terreno norte-americano todo mundo não sabe o por quê. Irônico! Ao assistir a primeira e segunda versão de “RED DAWN – Amanhecer Violento”, recorda-se muito a forma como nos existe alienação em torno de todas as produções hollywoodianas que têm como o tema a guerra! Quem não lembra de filmes como “Rambo” e “Bradock”? Quem não se lembra de como Hollywood tentou nos convencer de que o governo norte-americano sempre foi o mocinho enquanto que vietnamitas e soviéticos eram os vilões da história? Aqueles que foram crianças, na década de 90, conseguem lembrar que em muitas brincadeiras de “guerra” ou de “mocinho e bandido” a polícia sempre era o americano e o vilão era o vietnamita, e isso nunca foi realmente entendido, apenas era feito conforme a tv educava. Até nos jogos de guerra, em vídeo games e computadores, os jogadores tinham “orgulho” por serem “norte-americanos”, pelo menos na ficção. Pois é! O único sentimento existente ao ver a nova versão de “Red Dawn” é unicamente de indignação, pois depois de mais de 30 anos, Hollywood ainda acha que pode comover, impressionar e convencer os meros mortais não norte-americanos de que a causa e motivo dos E.U.A para se fazer guerra com outro país sempre é uma causa justa. E, é claro, isso ainda funciona! Não importa o quanto os livros estejam mais desenvolvidos, não importa o quanto se utiliza e abusa do direito de expressão, não importa o quanto as redes sociais são informativas e educativas, ainda se enxerga os “inimigos” dos norte-americanos como “inimigos de toda e qualquer nação justa”.
O primeiro, “Red Dawn – Amanhecer Violento”, de 1984, curiosamente anunciado primeiramente pela tv brasileira como “A Invasão da América”, foi estrelado por nomes que posteriormente iriam se tornar muito famosos como C. Thomas Howell, Lea Thompson, Charlie Sheen (em seu primeiro filme) e o casal sensação de “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, Patrick Swayze e Jennifer Grey. O filme mostra a invasão Soviética em cumplicidade com Cuba, na época, os principais inimigos dos E.U.A, que tomam uma pequena cidade e fazem dela uma espécie de quartel general, no exato momento em que o governo norte-americano perde vínculo com todos os seus aliados e numa época em que a ONU é extinta, coisa muito difícil de se imaginar na realidade atual. Existem pontos muito negativos em torno da história, os quais não se consegue entender no decorrer do filme. Primeiro: o exercito “inimigo” fixa seu domínio na pequena cidade e permanece durante cerca de 5 meses sem o necessário controle em torno dos moradores que foram aprisionados, ou seja, embora tenha uma espécie de “campo de concentração”, o exército decide permitir que muitos moradores mantenham sua rotina diária mesmo com os ataques dos rebeldes. Segundo: os rebeldes, denominados de “Wolverines”, são adolescentes sem nenhum treinamento militar que aprendem “na marra”, como sobreviver naquela situação, tornando-se exímios atiradores num espaço de tempo muito curto. Terceiro: os mesmos rebeldes se escondem na região montanhosa daquela cidade com um amplo espaço verde, entram na cidade na hora que querem e atiram nos soldados inimigos sempre que aparecem e o exército dominante não toma uma atitude inteligente se quer em torno dessa problemática. É de praxe, estrategicamente falando, que em uma situação extrema como esta, a primeira atitude do novo governo seria prender todos os civis nos campos de concentração, sem falar em matar os suspeitos, sendo a segunda atitude, devido o poder bélico que a Russia e Cuba sempre tiveram, bombardear toda região montanhosa, não importando os gastos com armas! Quarto, último e mais absurdo: politicamente falando, é deveras difícil mas muito difícil mesmo, pensar que potências, até mesmo como o Brasil, deixassem, sem nenhum protesto, uma das suas ricas fontes de recursos materiais e econômicos afundar violentamente em torno de uma guerra, mesmo com a extinção da ONU. Prova disso foram as inúmeras guerras que a humanidade sofreu, nas quais os países afetados sempre tiveram aliados que seriam prejudicados se aquela guerra afetasse a economia daquele país. Atualmente, seria burrice uma nação declarar guerra contra outra de forma direta e sem medir as consequências. É por esse e outros motivos que os ataques terroristas existem, que é uma forma de enfraquecer a economia e deixar vulnerável a integridade bem como o humanismo daquela nação, ou seja, isso geraria revolta, raiva e aquela nação afetada seria taxada por outras como sendo uma nação impiedosa e agressiva, ironicamente, é como a nação norte-americana é vista hoje. O pior aconteceu! O filme de 1984, inacreditavelmente, virou clássico!
Não há muito o que se falar do remake. Geralmente, diante de uma ficção alienante, aprecia-se, pelo menos, os efeitos técnicos, neste caso nem isso ficou interessante. O segundo filme se difere da primeira versão, uma vez que o inimigo é a então tenebrosa Coreia do Norte, a atual ameaça à Segurança Internacional. Hollywood já mostrou o que acontece quando nações como a Inglaterra, Iraque, Afeganistão, União Soviética, Cuba, Alemanha, Japão e Vietnã estão em guerra com os E.U.A, ou seja, 99% de suas produções os E.U.A são os mocinhos da história e sempre tentam aparecer como reais vencedores, nunca reconhecendo, ou pelo menos discretamente, a derrota para os vietnamitas na década de 70 por exemplo. Quando se fala o contrário a polêmica surge! Lembremos da impressão negativa do governo americano em relação ao filme “A Hora Mais Escura” onde é mostrada a violência praticada por soldados americanos contra prisioneiros afegãos, com o intuito de conseguir respostas claras sobre o paradeiro de Osama Bin Laden. A verdade verdadeira e não a fictícia vem ganhando espaço nos filmes hollywoodianos independente das criticas do seu governo. Isso com certeza fará uma diferença estrondosa, o que poderá, no futuro, desencadear uma espécie de censura sobre os realizadores dessas produções.