Carpe Diem. O termo, escrito pelo lírico e satírico poeta Horácio em Odes traz o conceito de aproveitar o dia ao máximo como seu principal significado. A partir dele, A Cinco Passos de Você gira sua trama. Tanto seu início, como conclusão, transmitem a importante mensagem de aproveitarmos o tempo que temos aqui. A partir da trajetória de dois adolescentes apaixonados e tão próximos da morte, a narrativa nos transmite a importância de estarmos ao lado daqueles que amamos, custe o que custar, provando quanto a vida pode ser frágil, podendo chegar ao fim com apenas um toque.

A distância, então, demonstra-se um obstáculo difícil de quebrar, mas é o sacrifício necessário para, pelo menos uma vez, aproveitar aquilo que precisamos, seja um amor, um amigo, um familiar ou até mesmo uma experiência.

Depois do sucesso envolta de A Culpa é das Estrelas (2014), o conceito de comédia romântica adolescente ganhou um novo significado. Diante da mudança de mundo e ideologias, principalmente em relação a relacionamentos, o sentido de “juntos para sempre” perdeu seu significado. No entanto, a obra de John Green estabelece um limite. Tanto os personagens quanto os leitores/espectadores sabem que não existe um “para sempre”, e isso é o que mais dói nessas duas histórias. Por mais que as duas tragam doenças e jovens diferentes, é impossível não comparar as duas narrativas.

Não só por A Cinco Passos de Você também ser uma adaptação de um best-seller, mas por toda a tragédia que ronda seus personagens e as dificuldades que precisam enfrentar para viver aquele período juntos. No entanto, a mesma força que os dois possuem nesse segmento é perdida quando é analisado o lado técnico desta obra em questão.

Há cinco anos, a história de Hazel e Gus, apesar de seguirem técnicas clássicas do cinema romântico, estabeleceram um conceito, muito bem trabalhado pela direção de Josh Boone. Seus jovens possuem características únicas diante aquela realidade, encantando adolescentes e adultos com ideologias e visões fortes sobre o mundo e a vida. A Cinco Passos de Você segue os mesmos passos, tornando tudo mecânico por já ter algo como base. Nenhuma característica na direção iniciante de Justin Baldoni traz um conceito novo ou diferente daquilo já visto. A estética segue o mesmo padrão, o uso de canções indie e melódicas são utilizadas da mesma maneira, além do próprio segmento narrativo que toma o mesmo rumo como o clássico Romeu e Julieta. Incluindo elementos da conclusão.

Nisso, a história de Stella (Haley Lu Richardson) e Will (Cole Sprouse) não segue a ambientação apresentada banhada pela tecnologia ao seu redor e representatividade. Mesmo com seus pontos específicos atualizados, sua essência é clássica e antiga, o que no fim resulta em um melodramatismo exagerado, mesmo com uma história essencialmente forte.

Quando A Cinco Passos de Você se aproveita dos seus mecanismos modernos, como a utilização do YouTube ou conversas via FaceTime, o resultado é positivo, principalmente por caber na realidade dos personagens em questão. Mas, como dito, a parte romântica segue um tom meloso que não combina com a realidade jovial, ainda mais ao ter Sprouse no elenco. Ainda que não seja fácil aceitar toda a essência melosa, é possível entender que a intenção proposta, tanto pelo livro quanto pelo roteiro, é de mostrar que ainda conscientes de suas realidades e de seus futuros, continuam sonhadores. A própria Stella admite em um momento do filme ter estudado toda a história e obra de Shakespeare, reforçando o ideal clássico trabalhado no longa.

Baldoni, ainda que novato, consegue sustentar bem o texto proposto pelo também novato Tobias Iaconis – um dos autores do livro. Texto esse recheado de momentos clichês – ao ponto de bobos – e apelativos em diversos pontos. A construção de seus personagens consegue seguir uma técnica um pouco menos convencional em seu início, mas que não consegue se segurar até se tornar pleonástico. A direção, ainda que consiga seguir uma consistência, precisa trabalhar aquilo proposto pelo roteiro. Consequentemente, a obra ganha seu tom apelativo e exagerado para forçar o choro do espectador. Em relação ao tom mecânico, Baldoni não só segue o mesmo rumo de outras obras, como insiste em suas próprias ideias já muito bem estabelecidas, como a representação da distância entre os dois amantes.

A fotografia de Frank G. DeMarco introduz uma estratégia simples e funcional para a situação ao enquadrar os dois em planos extremos e sempre colocar um obstáculo entre eles, que por muitos momentos apresentam algo físico, mesmo que o obstáculo é muito mais significativo. Ademais, a técnica perde a força inicial pelo uso excessivo durante toda a narrativa.

Outro ponto não sustentável da obra é a fraca presença de Sprouse. Ainda que o americano seja um dos nomes mais fortes de Riverdale (2017 -), ele não consegue atingir uma maturidade artística tal qual Ansel Elgort em A Culpa é das Estrelas. Ainda assim, Haley sustenta sua personagem de modo bem mais profissional comparado com seu parceiro, principalmente nos momentos que exigem mais dramaticamente. No entanto, ela se apresenta distante de Shailene Woodley – mantendo-se na comparação com a obra de 2014.

A dupla em si encaixa bem na proposta por suas diferenças e conflitos iniciais, claramente próximos da linha clássica. Quem atrapalha um avanço é o próprio texto, que encaixa falas e diálogos banais para tentar dar uma profundidade já muito forçada pela direção.

Para ser sincero, as questões técnicas, no fim, acabam não importando muito. Claro que elas influenciam na qualidade do longa, porém A Cinco Passos de Você entrega o que o público espera. A emoção da conclusão da história de Stella e Will, que envolve também amizade e perda, existe e consegue emocionar os espectadores presentes na sala. E ainda que haja uma dramaticidade excessiva, o longa transmite mensagens que realmente geram reflexão, não só sobre o aproveito da vida, mas também sobre aproveitar as pessoas que estão à nossa volta. É um pensamento doloroso, afinal, não esperamos que algo ruim aconteça de uma noite para outra com quem amamos, mas é importante ter isso em mente para não perder tempo.

Por isso, mesmo banal em muitos quesitos, A Cinco Passos de Você vai causar aquilo que o público espera que cause.