As produções cinematográficas do gênero romance ou de outros gênero que contêm o romance em seus enredos ganharam grande destaque ao longo do século XX.
Os fãs da sétima arte sempre gostaram de se emocionar com finais felizes. Uma história onde o amor sempre vence era algo admirável que conquistava muitos telespectadores no mundo todo. Contudo, filmes do gênero acabavam se tornando um tanto monótonos e previsíveis demais, o que diminuíra a atenção dos interessados em assisti-los. Daí, no inicio dos anos 90 até os dias atuais, percebemos um grande número de produções em que o final feliz, na verdade, não era necessariamente importante, mas sim a história em sua essência. Diante disso, muitos produtores pensaram que o fim inesperado de um dos seus astros principais, em outras palavras, a morte dentro de uma história de amor, tornava-se a grande surpresa daquele filme, ou seja, a morte era o objeto que faria a diferença no enredo daquela produção, chegando até mesmo a criar um segundo clímax, onde mesmo causando um certo impacto, comoção e espanto em relação aos telespectadores, o fim trágico acabava sendo realmente necessário pela capacidade de emocionar as pessoas, mesmo que não fosse, necessariamente, o fim que tanto esperassem ou desejassem assistir.
Entretanto, paira uma dúvida! Será que a morte, de fato, sempre foi necessária para o desenvolvimento dos roteiros cinematográficos do gênero em questão? Será que, em certos filmes, esse fim inesperado não acabou por estragar a suas histórias, causando um impacto negativo em torno dos telespectadores?

A seguir analisaremos alguns dos principais filmes que estão dentro deste meio envolvendo o amor e a morte.

Meu Primeiro Amor (1991) – Iniciando nos anos 90, temos esse filme simpático com uma historia um tanto envolvente entre um casal de amigos que estão entrando no mundo da adolescência se redescobrindo em torno dos acontecimentos da vida.  O crescimento, o despertar para a vida, o primeiro beijo foram aspectos que contribuíram com o desenvolvimento do enredo. Entretanto, a morte do menino Thomas J (vivido por Macaulay Culkin) acaba distorcendo a história, saindo de uma história com pitadas de humor e romance para um lado triste da tragédia e do drama emocional. Por mais que o filme tenha fãs fieis até hoje, a parte trágica foi o ponto que desencadeou criticas mistas com opiniões divididas, sem falar que teve uma sequência mal recebida pela critica especializada.

No Mundo Da Lua (1991) – Outro filme um tanto mais sério mas que tem como foco um romance adolescente. A estreante Reese Witherspoon dá vida a personagem Dani onde, numa reviravolta acaba perdendo o rapaz por quem se apaixona para sua irmã mais velha! A morte do rapaz dá fim ao triângulo amoroso. Por ter uma temática mais adulta, o filme conquistou elogios da critica especializada, inclusive do intolerante critico Roger Ebert. De fato, era um exemplo a ser seguido por outros realizadores.

Minha Vida (1993) – Este belo filme, um tanto esquecido pelo fãs do gênero, conta a historia de Bob, vivido por Michale Keaton, que descobre um câncer maligno ao mesmo tempo em que descobre que será pai. Bob acaba produzindo vídeos para se apresentar ao filho, ao mesmo tempo que acaba se redescobrindo em torno das pessoas que convivem com ele, principalmente sua esposa Gail, personagem de Nicole Kidman. Incrível dizer que a simplicidade e emoção mostrada no filme há 21 anos atrás teria uma recepção bem mais positiva se fosse lançada nos dias atuais com várias outras produções baseadas no mesmo tema. O diferencial de “Minha Vida” é a fé e o entusiasmo do personagem, além de um enredo mais adulto, mostrando a luta entre a vida e a morte.

Forrest Gump (1994)  – O ponto forte desta grande história diz respeito ao romance vivido pelo personagem principal com sua amiga de infância. A morte inesperada da personagem coloca Forrest em uma situação incomum, cuidar sozinho de seu filho. Apesar de melancólico e um tanto dramático demais, o final do filme se mostra reflexivo e sensível o que agradou a muitos telespectadores.

Íntimo & Pessoal (1995) – Um história real, boa música, uma química perfeita entre Michelle Pfeiffer e Robert Redford. A morte inesperada e marcante torna o filme um tanto impactante, ou seja, não é a morte em si que cria um aspecto emocional mas a forma que o público é preparado para recebê-la, de modo que, depois de todo aquele clima romântico criado vem a tona o que ninguém estava preparado para ver. Foi algo inesperado mas aceitável, diferente de muitos outros filmes que acabaram deixando a desejar.

As Pontes de Madison (1995) – Esta produção dirigida pelo grande Clint Eastwood fala de um relacionamento amoroso entre uma mulher casada e um fotógrafo viajante, contudo, o grande mistério em torno dessa história amorosa só é desvendado após a morte da personagem de Meryl Streep, um enredo bastante delicado e sem malícia, algo muito comum nas produções dramática de Eastwood, e que exigia um desfecho trágico para essa revelação surpreendente.

Romeu + Julieta (1996) – Que a história de Willian Shakespeare trata de um romance que tem um fim trágico todo mundo já sabe, mas a forma como é mostrada nessa adaptação dirigida por Baz Luhrmann, mais precisamente em relação ao suicídio de Julieta foi um tanto “contemporâneo” demais, uma vez a personagem de Claire Danes atira contra a cabeça com um tiro de pistola, diferente do clássico, onde Julieta se suicida com uma adaga no peito. Essa adaptação der Luhrmann divide opiniões, das quais a maioria se mostra um pouco violenta, pesada e nada filosófico ou dramática para a história original, ou seja, a substituição de espadas por armas de fogo nem sempre é interessante para os fãs do cinema.

Titanic (1997) – Esta super produção vencedora de 11 Oscars possui vários pontos a serem considerados. Primeiro, com uma produção milionária em termos de recursos técnicos é impossível não adorar todo esse espetáculo de efeitos, mesmo que a história romântica em si não tenha agradado a todos. Segundo e mais importante, há quem diga que, mesmo sem o fim trágico de Jack Dawson, personagem de Leonardo DiCaprio, o romantismo teria se firmado com a mesma recepção do público em geral, ou seja, a morte do personagem foi um tanto desnecessária.

Cidade dos Anjos (1998) – Este filme, apesar de um tanto estranho, tinha tudo para se tornar um grande filme romântico, e de certa forma conseguiu! Entretanto, teve um dos finais mais controversos, complexos e sem graça já realizados. Nicolas Cage, um anjo que consegue se tornar humano para ficar perto de sua amada, vivida por Meg Ryan, se vê perdido e desesperado quando a razão da abdicar de sua posição de anjo acaba morrendo em um acidente de carro.  Há quem defenda! Existe sim um grupo de fãs que não o defende só pelas belas músicas mas pela sua mensagem filosófica, demonstrando que a vida como ser humano é muito mais do que viver um amor, antes considerado impossível. Contudo, há também quem considere que o filme merecia um final mais digno.

O Tigre e o Dragão (2000) – Um bom filme de ação misturado com romance nem sempre é aconselhável se produzir, ainda mais quando envolve paixão entre dois casais e, mais ainda, quando ocorre morte em relação aos dois casais. Há várias coisas que o tornam um bom filme, como os efeitos de fotografia, edição, figurino mas o enredo poderia ter sido melhor sem as mortes desnecessárias de seus personagens principais no fim do filme.

Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001) – Outra produção de Baz Luhrmann, diferente de Romeu + Julieta, “Moulin Rouge” se mostrou um tanto melhor produzido e incrivelmente impressionante. O que é um grande espetáculo sem uma grande tragédia? Esse enigma teatral está bem presente neste belo musical, onde mesmo que previsível, a morte de sua estrela, Satine (personagem de Nicole Kidman), teria que ser além de dramática, necessitava ser também poética o que contribuiu para um final triste mas primoroso. Realmente era muito difícil fazer algo diferente e, ao mesmo tempo, fabuloso.

Um Amor Para Recordar (2002) – Visto e revisto por muitos fãs do gênero até hoje, é tido como o verdadeiro clássico dos adolescentes, isto porque há aquela sensação de amor verdadeiro que todo jovem aprova, defende e se inspira, ainda mais com as músicas que tratam desse sentimentalismo cantadas maravilhosamente por Mandy Moore. Acredita-se que sem a morte “esperada” da personagem principal, o filme não teria tido toda a recepção positiva que recebe há 16 anos.

Antes que Termine o Dia (2004) – Esta bela história estrelada por Jennifer Love Hewitt e Paul Nicholls transparece a importância de expor os seus verdadeiros sentimentos antes que seja tarde demais. O personagem de Nicholls, depois de vários desentendimentos com sua namorada acaba perdendo-a em um trágico acidente de carro. Misteriosamente, ele acorda estando a um dia do trágico acidente e, deste modo, tenta reverter a situação e viver aquele dia sabendo que, de fato, é o ultimo dia da vida da sua amada. Com um final inesperado mas brilhante, nos é revelado sobre o quanto o amor consegue realizar milagres e conceder até mesmo a vida a quem amamos.

O Segredo de Brockback Mountain (2005) – Esta história um tanto diferente mas simples e delicada, contando a relação de dois vigias de ovelhas homossexuais que conseguem manter seu misterioso romance sem, necessariamente, assumi-lo por muitos anos. A particularidade do filme está em sua fase final onde descobrimos o real sentimentalismo mutuo onde, mesmo após a morte trágica de um deles, consegue se manter firmemente fiel em relação aquele que permanece vivo.

O Amor Pode dar Certo (2006) – O filme já é trágico em sua essência do inicio ao fim. Amanda PeetDermot Mulroney fazem um casal que descobre que está com câncer terminal. Ambos tentam redescobrir o amor e a vida que estão além de tudo aquilo que já conhecem. O filme possui um ponto muito forte e impactante, no qual cada um deseja morrer antes de seu amor. Embora tenham um desfecho triste e melancólico e filme contêm um ensinamento válido e profundo sobre lições de vida e deve ser recordado e revisto por quem é fã do gênero.

P.S. Eu te Amo (2007) – Outra produção que, sem a morte, ela não teria sentido em ser produzida. Delicado e sugestivo, o filme conta a história de Holly Kennedy (Hilary Swank) que perde seu marido (Gerard Butler) que sofria de uma doença terminal e, quando tudo para ela deixava de ter sentido em sua vida, ela passa a receber cartas enviadas por ele ainda em vida dando um motivo para não desistir e ir em frente. Uma historia bem reflexiva e embora lide com a tristeza, há sim toda uma reviravolta em torno do luto e do aprisionamento ao passado.

Desejo e Reparação (2007) – Este romance trágico, baseado em um best-seller, possui uma particularidade inteligente e, ao mesmo tempo, revoltante já que o final desejado por muitos telespectadores na verdade é uma mentira contada pela peça chave do enredo, a personagem Briony Tallis, onde na verdade os personagens principais vividos por Keira KnightleyJames McAvoy, após serem forçados a se separar devido a vários acontecimentos inesperados da vida (denuncias falsas, guerra e desencontros) acabam tendo um reencontro fictício( que nunca aconteceu devido a morte de ambos durante a guerra), o qual só acaba sendo revelado no fim do filme. É, sem dúvida, uma das histórias adaptadas mais surpreendentes já realizadas no cinema, onde o telespectador tem a oportunidade de ser “enganado” durante grande parte do filme e não, necessariamente, se indignar com isso devido a forte mensagem que o filme transmite.

Um Dia (2011) – Outra adaptação baseada em romance homônimo, é preciso dizer que, não o filme em si, mas a história como um todo poderia ter tido uma trajetória mais favorável aos personagens se a morte inesperada da personagem Emma Morley, vivida no filme por Anne Hathaway, não tivesse acontecido. O fim acabou ficando triste demais para uma bela história de amor.  

Amor (2012) – Cuidar de quem sempre esteve conosco, dando amor e uma atenção mais do que especial supera expectativas. Contudo, cuidar do amor de nossa vida em um estado de paralisia, as vezes, exige demais do ser humano. É o que vemos neste grande filme austríaco, dirigido por Michael Haneke. Um casal de idosos se vê em uma situação critica quando a personagem Anne, vivida pela grande Emannuelle Riva, acaba, praticamente, desistindo da vida sem a aceitação de seu marido e cuidador, o que leva o mesmo a tomar medidas extremas para finalizar aquela situação dramática. A aceitação do pública se revela um tanto mista. Para aqueles que se interessam, de fato, por filmes dessa dimensão complexa, nada mais inteligente dar o então final majestoso aquela história.

Agora e Para Sempre (2012) – O filme conta a historia de uma adolescente vivida por Dakota Fanning, a qual possui um câncer terminal e acaba estabelecendo metas e desejos para alcançar antes de morrer, como se tatuar, ter sua primeira relação sexual, dentre outras. É uma bela história, contudo é previsível demais a ponto de inexistir acontecimentos fantasticamente relevantes. Aliás, a temática em si tratada em muitos filmes deste gênero como é o caso deste em questão, vem se repetindo bastante nos livros de romance. É incrível como os autores e cineastas investem em historias assim.

A Culpa é das Estrelas (2014) – Diferente do filme “Agora e Para Sempre”, desta vez tratamos, basicamente da mesma temática mas com os dois personagens principais vivendo o mesmo drama. Embora este romance discutível não tenha lá acontecimentos realmente impressionantes, o filme ganhou a admiração do público por expor um aspecto reflexivo sobre a vida e de como devemos vivê-la por completo mesmo que o fim esteja próximo. Não há o que dizer sobre a morte, a qual é previsível. Basta dizer que o diferencial desse filme é o fato do casal protagonista encarar a morte como uma segunda fase de suas histórias, com bom humor e sem perder a sede de viver.