Errado desde o começo. Em 2008, Bryan Bertino trouxe, de forma quieta, às telas de cinema, um tenso suspense em ‘Os Estranhos’. Estrelado por Liv Tyler, o longa, mesmo com suas diversas inconsistências e constantes erros, chamou a atenção por todo o clima gerado. Dez anos depois, Bertino passa a cadeira de direção para o lamentável Johannes Roberts, conhecido por… bem, quase nada. Mas ainda no projeto, Bertino assumiu papel de roteirista, e demonstrou ainda não estar desvinculado com os defeitos do primeiro. Aqui, com uma proposta de continuação com disfarce de reboot, a diferença está no número de vítimas, mas com uma trama similar a do primeiro – e de diversas outras obras do gênero.

O número maior de personagens serviu, em primeira instância, justificar a uma hora e meia de filme e explorar a tensão por mais tempo em um ambiente mais aberto, comparado ao primeiro, mas a banalidade do texto cansa mais do que deveria. Previsível, o roteiro até procura explorar os personagens, mas a simplicidade e a canastrice fazem qualquer peso ser descartado. Muito se deve pela má direção do elenco, com um destaque negativo para Martin Henderson – marcado por ‘Grey’s Anatomy’ – com seu personagem canastrão, cheio de caras e bocas e estereotipado diminuem ainda mais qualquer peso que fosse dado a ele. Como se não bastasse, a história consegue, também, ser diminuída pela interpretação da jovem Bailee Madison, que mesmo muito fofa em ‘Ponte Para Terabítia’ (2007), não demonstrou o mínimo potencial de atuação, cheia de fórmulas prontas e forçadas.

Afinal, tudo aqui é forçado. A todo momento, a trilha procura aumentar e deixar o ambiente mais tenso. É inevitável que, em alguns momentos, o objetivo é atingido, principalmente com a exploração de Roberts para alguns takes e movimentos, mas a previsibilidade da história diminui qualquer qualidade. A narrativa vale pelas fortes influências de clássicos do terror, estragando também a originalidade do longa, que no caso, não há alguma sequer. Os personagens são banais e a trama ainda mais, apesar de, em alguns momentos funcionar.

A caça de gato e rato dos assassinos pela família não é justificável, tornando-se, por incrível que pareça, a grande qualidade ao filme. A falta de explicação do motivo faz a tensão participar da trama e deixar o péssimo se transformar em algo digerível, mas ainda assim, toda a inconsistência e previsibilidade se sobressaem, deixando um gosto amargo da boca do espectador, que ao subir dos créditos, não fica indignado, e muito menos empolgado.

‘Os Estranhos: Caçada Noturna’ demonstrou ser uma tentativa frustrada de abrir horizontes, seu conteúdo banal é cansativo e aguardado diante inúmeras produções do gênero. O objetivo de ampliar um primeiro filme já pequeno é triste. Indiferente, o longa é só mais uma previsível e banal história.