SINOPSE

Poucas coisas mexem tanto com o ser humano como o sexo. Sobre esse tema, o cinema tem abordagens cada vez mais dispares, mas quase sempre unissonoras na questão da compulsão da busca pelo prazer. ‘Ninfomaníaca’ foi o primeiro longa (apesar de ser dividido em duas partes), a tratar do assunto pela vertente feminina. ‘Sexo, Amor e Terapia’, flutua com certa superficialidade sobre o tema, mas praticamente com a mesma visão (e sem o mesmo brilhantismo).

Na comédia romântica de Tonie Marshall, prosperam as perspectivas mais simplistas sobre o tema. Sexo leva ao amor, que consequentemente com o tempo, leva à terapia. Essa afirmação, martelada como um mantra ao longo do filme, é algo de dar inveja a Friedrich Nietzsche e Cia, sem sombra de dúvida. Tonie pode não ser uma das melhores diretoras do mundo, mas construiu uma sólida carreira por fazer uma abordagem honesta e singular sobre as peculiaridades do universo feminino (habilidade que parece ter sido esquecida em seus mais recentes filmes).

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Para que não soe como um punhado de críticas, elaboradas e fundamentadas especificamente para dizer que o filme é ruim, e sem qualquer qualidade, é possível apontar a química entre os protagonistas, como a melhor característica do filme. A narrativa não deixa muito espaço para o improviso, mas ainda assim, Sophie Marceau e Patrick Bruel se destacam num marasmo colossal que parece ter atingido em cheio o elenco de apoio (e olha que estamos falando de atrizes no nível de Marie Rivière).

De ideias boas, o cinema europeu esta cheio. Contudo, originalidade e principalmente, experiência, são pontos que estão em evidente falta no atual panorama do cinema francês. Boa parte dos sucessos de público na terra de François Hollande, são comédias românticas americanas ‘adaptadas’ ao gosto do público.

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Como já era de esperar, o cinema atual francês continua numa crise de originalidade profunda, praticamente interminável. Talvez seja a hora de buscar novas fontes, explorar novos gêneros e principalmente novos nomes. O enfoque e as temáticas podem não se renovar de imediato, mas a visão única sobre elas sempre foi algo inerente aos franceses. Pena que sexo ainda é mote para se ir ao cinema.

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