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Histórias. São elas que movimentam a indústria cinematográfica. É um dos principais quesitos para um bom filme e para que esse consiga conquistar um grande número de pessoas. Algumas não precisam atingir um número grande, com altas bilheterias, com grande destaque na mídia, e acabam sendo feitas para um certo tipo de público e é justamente isso que ‘Terra Estranha’ faz. Aliás, fica complicado saber o principal foco do primeiro grande longa de Kim Farrant.

Era nítido que havia um grande desafio para a novata diretora, que vinha de um documentário e alguns episódios de séries de televisão. Com um grande elenco, história pesada e um objetivo complicado, a diretora sofre em conseguir trazer um grande público a gostar da história apresentada. Felizmente, Kim mais acerta do que erra em uma direção com uma cara mais experimental do que profissional. Testes de foco e erros grotescos provaram que Kim ainda precisa de mais experiência no meio, mas conseguiu mostrar que tem certo potencial para trabalhar com grande elenco explorando as maiores qualidades dos profissionais ali com ela.

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Crédito: Divulgação

Exemplo disso é todo o trabalho de atuação, principalmente de Nicole Kidman e Joseph Fiennes. A veterana e já vencedora do Oscar volta à suas origens australianas e apresenta uma atuação intocável e apaixonante, retornando com força depois de tempos afastada do público. Fiennes é outro que surpreende, com uma atuação tão densa quanto todo o clima do filme, mas não chega nem perto do trabalho de Kidman. Hugo Weaving não decepciona e traz uma atuação honesta diante os dois destaques. Infelizmente, ‘Terra Estranha’ chama mais atenção por suas atuações, deixando a história como algo totalmente secundário.

Com um roteiro bem trabalhado em conseguir deixar o mistério sendo cozinhado durante o tempo, ele peca em diminuir seu ritmo do meio para o final, afastando cada vez mais o espectador daquele ambiente e finaliza com um final interpretativo. Apesar de um final em aberto, sem a revelação do mistério, a história principal, na verdade, serve de pano de fundo para uma outra, que para poucos é destacada, o que deixa confirmado o fato do filme ser mais um drama pessoal, do que um suspense. Para aqueles que procuram um thriller psicológico tenso e pesado, irão encontrar, mas para aqueles que procuram ter suas respostas respondidas, ‘Terra Estranha’ não é o filme para você. Seu objetivo é mais profundo e pessoal, onde a questão apresenta é algo que não importa, pois, todo o objetivo e drama está em outros fatores. Apesar de apresentar uma premissa geral, a verdadeira história está no particular.

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Crédito: Divulgação

Junto com as atuações, a fotografia das locuções australianas é outro destaque. Todo o calor e a seca ambientação é retratada com força e convida ainda mais o espectador a continuar fazendo parte daquele ambiente. A bela fotografia é acompanhada de uma trilha sonora densa e pesada, conseguindo passar toda a força que o deserto da Austrália precisava retratar.

‘Terra Estranha’ não explora algo novo no gênero, mas apresenta um bom trabalho, mesmo com grandes ressalvas e erros. Sem muita força para essa inicial corrida ao Oscar 2017, sua principal chance está com a vibrante atuação de Kidman, que retorna em grande estilo e merece, no mínimo, uma indicação. Tristeza é termos um longa de potencial, com uma premissa convidativa, mas mal executada, focando mais nas atuações. Seu roteiro interpretativo e um tanto quanto artístico, afasta cada vez mais o espectador daquele ambiente a que ele foi muito bem apresentado. E mesmo tendo um foco particular, são poucos que irão capturar toda essa essência, decepcionando-se com o que é realmente entregue.

Tais erros mostram que Kim tem muito o que caminhar, mas mostra, em primeiro plano, que tem um certo potencial para o futuro. Com uma direção ainda um pouco amadora, indícios de um futuro promissor são apresentados. Infelizmente, mesmo com pontos positivos, a diretora não consegue ganhar a confiança do público. O longa, ainda assim, merece ser assistido, mas é preciso ir sabendo o que esperar, caso contrário, só decepção.