Marcado principalmente por A Bruxa de Blair (1999), o formato foundfootage chamou muita atenção no gênero terror. Mesmo com o formato ter caído em desuso há tempos, o alemão Michael David Pate decidiu explorar a câmera na mão de uma forma moderna, utilizando-se de youtubers como seus personagens principais.

A ideia de Pate não é de fato ruim, e até consegue realizar uma crítica ao cenário moderno de entretenimento, principalmente envolvendo uma discussão muito pautada depois do americano Logan Paul filmar um cadáver e publicar o vídeo em seu canal.

Todo esse atual cenário discute a forma de produção e qual o limite de podermos realizar algo em busca da fama e visualizações, duas coisas que a sociedade moderna procura cada vez mais. A tentativa encaixa perfeitamente com o gênero, que como gosto de dizer em meus textos, sempre dá margem para realizar críticas a nossa sociedade. No entanto, o alemão, que tem este como seu primeiro filme na carreira, demonstrou claramente sua falta de conhecimento técnico ao trazer uma direção e roteiro péssimos.

Primeiro é que Pate claramente não entendeu o que ele mesmo quis fazer. Seu roteiro até procura explorar uma estrutura moderna, fazendo jus com a linguagem dos personagens principais, porém a montagem que Pate escolheu é tão confusa quanto a trama.

Pelo fato do filme se passar inteiro através das câmeras dos personagens e com a resolução do longa, fica difícil saber se tudo não passou de um vídeo já finalizado ou se aqueles acontecimentos estavam ocorrendo “ao vivo”. Aliás, o diretor mistura erroneamente imagens do YouTube com a narrativa do filme, não dando equilíbrio nas cenas mostradas, algo que deixa tudo muito fútil e vazio.

Nesse mesmo ponto, há ainda mais confusão pela incoerência do texto, já que no início, é mostrado um vídeo – aparentemente publicado – dos youtubers citando que estão indo ao famoso manicômio assombrado, contudo, tempos depois, os mesmos citam que ninguém deveria saber que eles estavam ali. Outro fator está nas próprias câmeras. O mesmo constrói que os youtubers ali presentes instalaram-as por todo o terreno, mas no meio do filme, algumas realizam zoom e panorâmicas de maneira aleatória e automáticas, perdendo a fidelidade de que elas estão estáveis.  

A atuação dos adolescentes irritantes também não ajudam em nada na trajetória da narrativa. Além da má atuação dos jovens alemães, há momentos de surgimento sem explicação alguma. Em primeiro plano são mostrados três personagens, e logo depois temos um quarto, que não foi introduzido ou que não apresenta justificativa alguma de estar ali. A própria inserção da protagonista – se é que podemos chamá-la assim – é crua e muito mal montada.

O fator da câmera em mãos cria um conceito narrativo interessante, mas limita por não mostrar os acontecimentos “não gravados”, e isso gera inúmeros furos e incômodos narrativos.

Quanto ao terror, o mesmo é inexistente. Pate dirige de maneira segura, criando tensões óbvias e uma trajetória comum, pensando que consegue surpreender alguém em pleno 2019 com sua proposta. Inclusive, sua história é também mal desenvolvida, com um plot twist forçado e previsível – inclusive, o plot é explicado dentro de um flashback aleatório, o que também provoca confusão quanto a estrutura.

Mas o pior da resolução é o texto expositivo para fazer a crítica que tanto queria, o que chega a ser vergonhoso, já que o personagem em questão repete frases prontas constantemente. “Vocês jovens são muito viciados no celular” é um exemplo do que Pate escreveu. E como se não bastasse uma vez, ela aparece mais duas.

Isso deixa nítida a falta de experiência de Pate, que, até tenta explorar um tema interessante e necessário para nossa sociedade expositiva. No entanto, faltou coragem em construir uma trama mais destemida para tratar do tema. O espectador já cansou de história fúteis com estrutura pronta. O cinema existe para desafiar e provocar, mas muitos insistem em manter aquilo que já foi visto inúmeras e repetidas vezes.