Eli Roth é o tipo de diretor que você nunca sabe se seu próximo trabalho irá te agradar ou não. Por mais curioso que pareça, Roth já dirigiu os péssimos “O Albergue” e “O Albergue – 2”, o recente “Desejo de Matar” e agora se arrisca num filme familiar adaptando um livro de sucesso escrito por John Bellairs, “The House With a Clock in its Walls” publicado em 1973. Observando sua filmografia por trás das câmeras (além de dirigir, ele também atua e produz), a fantasia “O Mistério do Relógio na Parede” é o melhor até agora, porém Eli parece estar longe de ser um dos melhores diretores da atualidade.

A maior parte dos filmes em que dirigiu foi de terror, e este gênero foi levemente salpicado em “O Mistério do Relógio na Parede” nos levando a crer que assuste nossas crianças com algumas cenas. Sim, caro cinéfilo, há presença de partes assustadoras como: ressurreição de um morto em um cemitério através de um ritual; bonecos tenebrosos; apavorantes abóboras; e cenas com climas mórbidos de situações embaraçosas que por vezes acaba dando lugar ao nauseante ‘’já isso em algum lugar’’. A soma disso tudo resulta num filme de terror para a garotada, o que não deixa de ser bom, mesmo com diálogos convencionais e situações previsíveis.

O macabro, utopista e encantador filme é ambientado no bairro de New Zebedee, Michigan no ano de 1955. O garoto Lewis (o ator Owen Vaccaro que lembra muito o Jacob Trambley) ficou recentemente órfão após os pais morrerem em acidente de carro. Lewis vai morar com Jonathan, seu tio distante que é um feiticeiro e mora numa casa onde os quadros e móveis têm vida própria – em especial uma poltrona e um arbusto esculpido em forma de leão que defeca constantemente areia. Não demora muito para que Lewis descubra a magia que seu novo lar possui.

Além do tio bondoso e esquisitão, Lewis terá o auxílio da vizinha Florence Zimmernan, uma generosa bruxa, que atualmente está lidando com a perda de sua filha. A relação entre eles não é a das melhores, porém, não é das piores – eles se ajudam e se insultam ao mesmo tempo como dois irmãos ou um casal. Contudo, eles terão que enfrentar sérios problemas com os antigos proprietários da mansão: Isaac Izard, um mago malévolo e Selena, sua esposa.

Na escola, Lewis tem dificuldade em fazer amigos e quando consegue fazer amizade com Tarby o garoto mais popular, ele faz de tudo para preservar, chegando mesmo a comprometer a mansão quando Tarby quebra a única regra da casa definida por Jonathan.

Apesar de atraente, “O Mistério do Relógio na Parede” obedece aos clichês nos padrões do gênero, mas que tem seu lado fúnebre e sensível, com raros momentos de humor – nem a forte presença de Jack Black garante boas risadas por seu personagem ser carismático e não engraçado. O lado cômico de Black ajudaria muito a salientar a sensibilidade com que certos assuntos são abordados como a morte de pessoas ligadas a Jonathan tiveram e não superaram. Na verdade, o trauma em perder os pais (no caso de Lewis) e filho (Florence) é o único pano de fundo para o âmago de suas tristezas.

Embora tenha sido adaptado de um livro, o roteiro é idêntico aos de muitos gêneros que se tem visto atualmente. No início, a história se constrói bem e depois cai no óbvio e vai perdendo o fôlego até chegar ao embate final entre seus protagonistas e antagonistas. Levando em consideração que Jack, Cate e Owen dão credibilidade aos personagens, o longa aparenta se contentar em explorar os ótimos efeitos visuais. Ainda assim, é um entretenimento bem agitado para os menos exigentes.