Há 12 anos, “The Big Bang Theory” estreava na CBS com a promessa de conquistar grandes fãs ao redor do mundo, não só por ser escrita por Chuck Lorre (o criador de “Two And a Half Man”), mas também por abordar um assunto que permitisse que inúmeras pessoas se identificassem: a cultura nerd. Com uma temporada final divertida (mas não tanto quanto as primeiras) e, ao mesmo tempo, um pouco arrastada, a série buscou fechar os arcos de seus personagens principais de forma digna aos seus 12 anos de desenvolvimento, mesmo tendo tropeçado no caminho.

Existem inúmeras séries (e outros programas de televisão) que não souberam a hora de parar e, assim, foram se tornando cada vez mais cansativos, não conseguindo manter a mesma qualidade das primeiras temporadas e falhando em manter o interesse do público e, infelizmente, The Big Bang Theory se tornou uma delas. Ao longo de suas últimas temporadas, a história dos, agora, sete amigos foi se tornando cada vez mais repetitiva e cansativa de se acompanhar, mantendo piadas extremamente semelhantes e histórias que não podem ser consideradas muito inovadoras. Embora houvesse grandes mudanças na vida dos personagens, a maioria das tentativas de humor ainda continuavam as mesmas: as palhaçadas e safadezas do Howard, a altura e a braveza da Bernadette, as inseguranças da Amy, os problemas do Raj com mulheres, as disfunções sociais do Sheldon e o fato da Penny ser areia demais pro caminhãozinho do Leonard. Ressalta-se que, por mais que esta pareça uma crítica negativa, surpreendentemente não é; mas não foi fácil acompanhar por 12 anos as mesmas piadas.

Entretanto, por mais repetitivas que as últimas temporadas (inclusive a 12°) tenham sido, essa temporada conseguiu superar todas as expectativas no quesito narratividade (tirando as tentativas de humor) e desenvolvimento de personagens. O arco de praticamente todos os personagens foi fechado com bastante lealdade aos seus respectivos desenvolvimentos, surpreendendo com um episódio final duplo que certamente foi comovente para cada fã que acompanhou a história até aqui. Até o excluído Stuart teve um final digno de seus 12 anos de história, tendo sido retratado nesta temporada com muito mais frequência e cuidado do que nas demais (e, me alegro em dizer, fiquei bastante empolgado quando vi que este personagem tão pouco reconhecido teria finalmente um arco narrativo que não se resumisse apenas em solidão, problemas de saúde e tristeza).

A história de Leonard e Penny nessa temporada também foi bastante empolgante para quem acompanhou The Big Bang Theory até então, pois podemos ver o crescimento profissional da personagem que antes – infelizmente –  era tratada apenas como “um rostinho bonito”, e o crescimento pessoal do personagem que, finalmente, teve a coragem de confrontar sua mãe sobre a relação conturbada dos dois. Gostaria de dar ênfase, entretanto, no desenvolvimento de Raj, personagem que ficou a série toda atrás de uma companheira, tendo optado esta temporada por um casamento arranjado, mas a simples reviravolta e mensagem que sua decisão final traz para o seu arco é bem inteligente (cuidado com o spoiler a seguir): você não precisa estar em um relacionamento para ser feliz, principalmente quando se tem bons amigos.

E possivelmente, Sheldon e Amy tiveram o arco mais interessante da série até então, tendo sido capaz de fazer os fãs ficarem cada vez mais ansiosos para saber seu desfecho. Com um roteiro bem trabalhado e uma incrível química entre os dois, o casal mais improvável da série se esforçou bastante para ter a chance de conquistar o sonho do protagonista: o prêmio Nobel.  A linha narrativa da temporada teve diversos pontos de giro para surpreender cada vez mais o leitor: enquanto em um episódio tínhamos certeza que os dois ganhariam o Nobel, no seguinte éramos surpreendidos e a chance dos dois estava cada vez mais distante (principalmente pela concorrência desleal dos personagens interpretados por Kal Penn e Sean Astin). Se você está curioso para saber se Sheldon e Amy conseguiram ou não o prêmio, só assistindo os últimos episódios pra saber!

A série, mesmo com tropeços em sua narrativa e repetições exageradas de piadas, consegue ser finalizada de forma inteligente e emocionante, apresentando um discurso feito pelo doutor Sheldon Cooper que indica o amadurecimento do personagem ao longo destes 12 anos de seriado, também finalizando o arco dos outros seis protagonistas e, ao mesmo tempo, mostrando uma última vez a forte relação de afeto que une o grupo de amigos. Vale ressaltar também o brilhante paralelo feito com o último episódio do season finale de Young Sheldon, fazendo uma associação interessante entre o passado e o presente do protagonista, sendo que o personagem, na série prequel, se encontra em uma situação bastante similar à de seu presente, porém com uma diferença crucial: ainda criança, Sheldon Cooper não tinha os melhores amigos de sua vida ao seu lado. Por fim, a série, que apresenta(va) um grupo de nerds se relacionando com uma vizinha de personalidade oposta à deles, vai deixar saudades em diversos fãs ao redor do mundo, mas os que quiserem permanecer mais um pouco neste universo narrativo tem a opção de acompanhar o começo desta história com Young Sheldon, não podendo esquecer, entretanto, que it all started with the big bang!