A Floresta Amazônica se tornou cenário de diversas obras audiovisuais de ficção, desde filmes de terror como “Green Inferno” até dramas históricos como “The Lost City of Z” e “El abrazo de la serpiente”. No Brasil, lar da Amazônia, não seria diferente, tendo desenvolvido um grande número de obras onde tal floresta se mantém como cenário principal – um bom exemplo seria a recém estreada série dramática “Aruanas”, que retrata um grupo de mulheres lutando pela preservação deste bioma. Apresentando uma grande realidade verde, repleta de vida e histórias, a série Jungle Pilot, novo lançamento da Universal TV, é a mais nova obra nacional que se desenvolve, de forma magistral, a partir de um dos maiores patrimônios tupiniquim.

A série de suspense tem como foco principal a Jungle Pilot, uma empresa de táxi aéreo que opera na Amazônia e possui o lema “voa aonde ninguém mais voa” – o que não é algo necessariamente bom. Os irmãos e sócios Júlio César e Maciel (interpretados respectivamente por Démick Lopes e Álamo Facó) estão levando a empresa à falência devido à sua má-administração, mas após uma viagem clandestina e um acidente aéreo, Júlio César e Núbia (interpretada por Clarissa Pinheiro) descobrem uma grande quantia de dinheiro que pode solucionar todos seus problemas, mas com isso acabam entrando em grande perigo. Logo no primeiro episódio, a nova produção da Giro Filmes consegue se vender como um eficiente thriller, conquistando a atenção e o interesse do espectador em uma trama que, aos poucos, vai se revelando mais profunda do que aparenta, se utilizando do termo bamburrar para construir os principais personagens e, assim, guiar a narrativa.

Termo originado do garimpo, bamburrar significa achar ouro em meio ao trabalho e, assim, enriquecer de forma rápida e inesperada. Os principais personagens, com ênfase no protagonista Júlio César, passaram grande parte de suas vidas se apoiando na esperança de, um dia, bamburrar para uma vida melhor – no caso deste personagem, o termo se mostra ainda mais literal. Quando encontram o dinheiro, percebem que este é seu bambúrrio – ou seja, a grande chance de melhorarem suas vidas –, portanto os riscos que o achado traz se torna menor do que a esperança de um futuro próspero.

Como já dito, a história se passa em sua grande maioria na Amazônia, e o espectador é convidado a adentrar, junto aos personagens, nesse bioma tão diverso e complexo. A imensidão amazônica se destaca em meio aos acontecimentos do roteiro, emergindo o espectador em uma realidade bastante relevante – ainda mais nos dias de hoje –, pois apresenta, em segundo plano, grupos de pessoas lutando para preservar aquele bioma – valendo ressaltar que o elenco de apoio se mostra bastante promissor. Assim, a floresta em si deixa de ser apenas o cenário e acaba se tornando um dos personagens da história, pois tanto ela, suas criaturas e seus moradores são utilizados como forma de desenvolver a narrativa e aprofundar o espectador naquela realidade.

Não é, portanto, uma simples história de suspense que se passa na Amazônia, mas sim uma imersão em um dos desejos mais profundos do ser humano, se utilizando de um dos biomas mais ricos do mundo para desenvolver uma trama estritamente densa, inquietante e, mais do que isso, imersiva. Na pele dos personagens, o espectador é assim levado a se questionar sobre o que faria se estivesse naquela mesma situação, visto que são poucas as pessoas que nunca se imaginaram tendo a chance de bamburrar e, facilmente, atingir o ápice dos desejos capitalistas. Jungle Pilot, portanto, pega um tema já bastante trabalhado e o transforma em algo único, conseguindo se manter a partir da tensão e da apreensão do público, entregando, por fim, um thriller psicológico rico em detalhes e personagens não só identificáveis, como também bastante realistas.