Os terríveis ataques no traumatizante 11 de setembro se tornaram uma mancha no cenário americano, que dificilmente será tirada. Não só movimentos políticos, mas conflitos foram travados para tentar acabar com uma guerra que já havia começado anos atrás. Com a intenção de cortar o mal pela raiz, 12 militares foram os primeiros enviados para, digamos, revidar as 2.996 mortes do fatídico dia. Qualquer nação, provavelmente faria a mesma coisa, mas isso não vem ao caso. Ainda que com uma “boa” intenção, a representação dessa história em ‘12 Heróis’ está longe de compensar todas as mortes. Não que o filme precise fazer isso, óbvio que não, mas mesmo sendo mais uma produção patriarcal, o longa dirigido pelo dinamarquês Nicolai Fuglsig se torna só mais um genérico de guerra.

Entre muitos tiros, bombas e barulho, Fuglsig faz sua estreia como diretor de cinema e demonstra ainda muita fraqueza. Vindo de comerciais, a maior qualidade do dinamarquês é a fotografia, que aqui, funciona bem em grande parte do filme, com uma característica empoeirada, bem encaixada com toda a ambientação e proposta do longa. Outro bom trabalho vem em seus efeitos práticos, com explosões de peso. Mas, além disso, tudo é muito fraco.

Fuglsig criou uma guerra bipolar sem profundidade alguma. Além dos personagens mal trabalhados e sem carga dramática, a guerra é o básico bem contra o mal. Tendo conhecimento de história, sabemos que a guerra não é algo tão simples assim. Não só o dinamarquês nos apresenta mediocridade na batalha, como sua direção é mal trabalhada em grande parte dos maiores combates, sendo difícil de explicar o que se vê em tela. Todas as cenas, que supostamente, deveriam trazer emoção e aquela sensação de heroísmo, (afinal, são 12 heróis), são mortas junto com outro “vilão” derrubado pela arma de um soldado. A guerra não traz peso, é aquilo que você vê em tela e pronto, sem densidade alguma para, sequer, prender o espectador pelas longas duas horas de filme.

Até no momento crucial da história, que são os soldados usarem cavalos para combater tanques e bombas, é um detalhe fútil. Novamente, Fuglsig não entrega peso ou densidade nos momentos cruciais, e isso acaba não transmitindo nenhum sentimento ao espectador. E entre toda futilidade das trocas de tiros e bombas, temos um roteiro mal escrito e personagens superficiais.

Chris Hemsworth, prova, cada vez mais, uma capacidade apenas em fazer o Thor e filmes cômicos. Aqui, quando é exigido o mínimo de drama, ele não convence e aparentemente fica aquela coisa forçada. O pior são os secundários, não na questão de atuação, mas sim de personagens. O texto não traz profundidade alguma – tanto para o próprio Hemsworth quanto para os outros – mas ele (o texto) ainda consegue superar no personagem do indiano Navid Negahban, que a cada dez frases, uma é de de efeito, além de atravancar a narrativa com discursos baratos. Por sua vez, é o único personagem que acaba tendo o mínimo de boa construção no contexto da história, já que ele sofre mudanças e não termina como começou, diferente de diversos outros personagens.

No fim das contas, ‘12 Heróis’ é só mais um filme em cartaz, que, no português bem claro, não fede e nem cheira. Ele está ali e pronto. Assisti-lo pode até gerar uma distração, mas é mais fácil encontrar frustração em meio a momentos dramáticos mal trabalhados e uma história mal apresentada. Herói mesmo acaba sendo o espectador que aguenta até o final. Poderia até recomendar a leitura do livro escrito por Doug Stanto, mas ao folhear algumas páginas, o texto é tão genérico quanto o próprio filme.