Traffik – Liberdade Roubada acompanha Brea (Paula Patton) e John (Omar Epps) enquanto eles fazem uma viajem romântica para uma casa afastada nas montanhas. Em uma parada na estrada, acabam esbarrando em um grupo de motociclistas, junto deles tem uma mulher, que coloca um celular na bolsa de Brea sem ela perceber. Rastreando o celular o grupo encontra o casal e o aterroriza para conseguir o celular de volta, o qual está cheio de fotos e contatos que provam que eles estão envolvidos com tráfico de mulheres.

O filme começa afirmando que é inspirado em fatos reais, mas a história em si é fictícia. Após ler uma entrevista sobre crianças sendo traficadas na cidade em que  mora e descobrir que 40% das vitimas de tráfico são afro-americanas, o diretor e roteirista Deon Taylor decidiu mostrar o tema que, apesar de ser uma epidemia – como o mesmo disse – não é tão abordado nos cinemas.

O longa mostra o casal feliz planejando se casar e até o tema principal ser abordado muitas cenas românticas e diálogos banais são o centro das atenções. De fato, o tema tráfico sexual nunca é abordado de maneira apropriada, nenhuma das vitimas é apresentada, os vilões são caipiras ignorantes propensos a violência e os mocinhos cometem erros ridículos, típicos de filmes ruins de terror.

O casal protagonista, interpretado por Omar Epps e Paula Patton, sai bem. Mas, no geral, as atuações são ruins, por consequência de um roteiro exagerado que não conecta bem as passagens de ritmo e não tem força para apresentar uma mensagem tão importante como o tráfico humano, que acaba ficando em segundo plano.

Alguns momentos de tensão são criados e em alguns momentos parece que vai ser dado ao tema finalmente a atenção necessária, mas Traffik é genérico e acaba sendo uma história de superação de uma protagonista forte que não aceita ser mais uma vítima, frase que está escrita no cartaz de divulgação do filme, como se as outras vítimas tivessem aceitado seu destino e por isso estão sendo exploradas sexualmente por uma rede de tráfico humano internacional.

Traffik: Liberdade Roubada tem a pretensão de ser um filme com uma denúncia forte e significativa, mas esquece seu propósito com um roteiro fraco e cheio de buracos.