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‘Encontre seu lugar feliz’.

Um grupo de Trolls (criaturinhas alegres, coloridas e dançantes) precisa escapar dos Bergens, criaturas tristes que inventaram um festival para devorar os Trolls todos os anos, porque acreditam que esta é a única forma de alcançarem a felicidade. A animação é da Dreamworks, mesmo estúdio que trouxe para as telas o grande sucesso ‘Shrek’. A direção é de Mike Mitchell, diretor de alguns filme de comédia, como ‘Gigolô por Acidente’ e outros mais voltados para as crianças e a família, como ‘Shrek para Sempre’ (ou Shrek 4) e ‘Alvin e os Esquilos 3’. Aqui em ‘Trolls’, Mike conta com a co-direção do especialista em animação Walt Dohrn.

Os Trolls são aquelas bonequinhas com cabelo espichado – há uma delas inclusive em ‘Toy Story’ – que foram criadas por Tomas Dam na Dinamarca em 1958. O filme também marca a terceira adaptação do estúdio que não é baseada em um livro infantil – que são as fontes mais comuns de adaptação atualmente (só para constar, as outras duas são ‘Os Sem-Floresta’ e ‘As Aventuras de Peabody & Sherman’). A produção realmente traduz ao pé da letra o significado do termo ‘animação’, sendo este um dos filmes com os personagens mais empolgados dos últimos tempos. Cantar, dançar e abraçar, é assim que os Trolls vão levando a vida apesar dos perigos que os acercam. O visual super colorido e alegre, apresentado como um conto de fadas cria um clima contagiante, auxiliado por músicas bastante animadas. E é esse clima que vai ditar todo o tom do filme, logo destacando dois personagens principais: a animada Princesa Poppy e o emburrado Tronco, um Troll que gosta de viver na tranquilidade do seu sossego.

Em meio a várias canções que vão desde Lionel Ritchie, Bonnie Tyler e Simon and Garfunkel a Gorillaz e ao próprio Justin Timberlake – que na versão original dubla Tronco – o filme toca em alguns pontos interessantes como a busca da felicidade, deixar de ser egoísta e sair da sua zona de conforto para ajudar outras pessoas e também aprender responsabilidades, amadurecer. Não é nem de longe uma trama original e também não se aprofunda nas suas investidas para deixar uma ‘lição’ de moral ao espectador, mas muito provavelmente não era essa a intenção da produção. A própria presença assustadora dos Bergens (devoradores de trolls, afinal!) é bastante suavizada através do seu jovem rei, que é incapaz de degustar um ‘trollzinho’ que já está dentro de sua boca. Se por um lado isso reprime qualquer impacto dramático que o filme poderia ter, por outro, mantém essa aura de ingenuidade para atingir as crianças, que afinal são o público-alvo do filme. Lembrando que nem toda animação vai ter o objetivo de se comunicar com adultos e crianças como a Pixar faz, portanto, o objetivo de ‘Trolls’ é fazer um musical (algo que o estúdio não faz desde ‘O Príncipe do Egito’) mesclado com uma aventura repleta de humor pastelão. Em outras palavras, ao invés de ir para o lado da emoção, ‘Trolls’ prefere fazer seu espectador rir.

Concluindo, ‘Trolls’ é uma aventura ingênua que usa a história de dois personagens com personalidades opostas se unindo contra o mal, apoiada por uma seleção de músicas excelente que traz um charme hora empolgante, hora divertido para o filme. Há dois momentos que se destacam, a cena mais sensível do filme, quando todos parecem derrotados e uma bela canção vem alegrar e uma cena particularmente interessante, que é quando um personagem canta ‘Hello darkness, My old Friend’ (Sounds of Silence) para o outro. A propósito, algo que incomoda ou pelo menos fica confuso é o fato de na versão nacional algumas canções originais serem mantidas enquanto outras têm a letra alterada para o português e são dubladas. Ah, e tem uma nuvenzinha que rouba a cena em determinado momento, é o personagem mais ‘trollador’ do filme, se me permitem o trocadilho. Não é um filme memorável que irá entrar para a galeria das grandes animações, mas certamente deve agradar muitas crianças por aí.

UM MOMENTO APIMENTADO: Princesa Poppy cantando ‘Sounds of Silence’ para Tronco, um dos momentos mais fofos do filme.