Entre setembro de 1939 e maio de 1940, a Segunda Guerra Mundial teve uma pausa. Tanto os alemães quanto os aliados ingleses e franceses pararam a movimentação de suas tropas e decidiram esperar. Esse período ficou conhecido como a Guerra de Mentira.

 

 

Porém, em maio a Alemanha invade a Dinamarca e quase simultaneamente a Noruega, para evitar o corte no transporte de metais entre os dois países, que vinham pelo porto norueguês. Como resposta, os aliados bloqueiam os mares para impedir que os alemães continuassem a fazer negócios, dando início a várias batalhas marítimas na região.

 

Diferentemente da Primeira Guerra, onde haviam vários confrontos em trincheiras e pouco se movimentava, os alemães tinham uma nova tática de guerra, a Blitzkrieg, onde eles atacavam massivamente com tanques no começo, seguindo de ataques aéreos bombardeando determinados locais, assim abrindo espaço para as tropas. É claro que o método foi extremamente eficiente, pois pegava os adversários desprevenidos e os deixava sem ação perante esse poderio ofensivo.

Com essa tática, os alemães invadiram Holanda, Bélgica e Luxemburgo, restando apenas a França pela frente. Os franceses estavam relativamente tranquilos, porque tinham boa parte da sua fronteira com os alemães impenetrável. Naturalmente, reforçaram com seus melhores homens e a ajuda dos aliados britânicos sua área mais frágil, a fronteira com o centro da Bélgica, por onde os alemães já os haviam invadido na Primeira Guerra. Mas, Hitler e seus generais não estavam de brincadeira.

 

Para chegar à França, eles invadiram sim a Bélgica, no entanto, por uma floresta densa na qual acreditava-se que um exército não conseguiria passar. Assim, os alemães fecham o cerco aos exércitos franceses e britânicos, os encurralando até a praia de Dunquerque, pois sabiam que seria impossível a retomada dos territórios. Os aliados tentavam evacuar o máximo possível de homens de volta para o Reino Unido, abandonando equipamentos e tudo mais para a posse alemã antes que estes chegassem aniquilando tudo. Esse deve ser o ponto de partida para o filme de Christopher Nolan, “Dunkirk”.

Entretanto, esse não será o primeiro filme a mostrar a evacuação das tropas na praia francesa. Em 2007, o diretor Joe Wright nos brindou com um dos maiores planos sequência da história do cinema, no drama “Desejo e Reparação”. Estrelado por James McAvoy, a jovem indicada ao Oscar Saoirse Ronan e Keira Knightley, o filme conta a história de um romance entre um rapaz humilde e a filha mais velha de uma família muito rica.

Separados por um desentendimento infantil, porém cruel, o jovem é preso e, para acelerar sua saída da prisão e tentar reencontrar sua amada, aceita juntar-se ao exército britânico na Segunda Guerra. Sem entregar spoilers, porque o filme merece ser visto, ele acaba sendo um dos soldados que chegam à praia de Dunkirk, com a esperança da evacuação e o retorno ao lar. São 5 minutos ininterruptos que valem a pena serem apreciados:

O diretor Wright consegue unir na mesma tomada vários elementos que tornam a cena riquíssima, extremamente bem orquestrada e, apoiada pela incrível composição de Dario Marianelli, emocionalmente desoladora. A cena não combina muito com o restante do filme, afinal, não é uma história de guerra, mas funciona perfeitamente para reforçar no espectador a sensação de injustiça, de que Robbie (McAvoy) está em um lugar onde não deveria, correndo perigos que não merecia.

Em “Dunkirk”, por sua vez, podemos esperar muito mais ação do que em “Desejo e Reparação”, é óbvio. Mas, sinto que a cena se complementa com o filme de Nolan, pois representa toda a calmaria e angústia antes da tormenta. “Dunkirk” estreia nesta quinta-feira (27).

Créditos e imagens: vídeo A Segunda Guerra Mundial – canal DGP TopLista (Youtube)