SINOPSE

O que parecia uma história tocante, acabou ficando abalada pelo tom apelativo. Um bom argumento para a realização de um filme é o ponto fundamental para um diretor começar a trabalhar em uma nova produção. Essa era a realidade do diretor Javier Fesser, uma vez que o enredo girava em torno da história real da menina Alexia Gonzáles-Barros e Gonzáles, a qual, afetada por um câncer maligno, ofereceu sua vida a Deus e, atualmente, está passando pelo tradicional processo estabelecido pela Igreja Católica para se tornar santa.

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O filme mostra a história da personagem Camino, interpretada por Nerea Camacho, onde são destacados os aspectos naturais de sua vida, como o crescimento físico e mental de uma adolescente, a descoberta do amor e a delicadeza da vida. Camino tem ao seu redor, um pai amoroso, uma mãe tradicionalista e uma irmã dedicada a sua vocação de freira, além é claro de amigos adolescentes e um menino, pelo qual desperta sua secreta paixão. Agredida por um câncer que a está enfraquecendo aos poucos, ela acaba redescobrindo a sua fé, mediante apoio da sua família e de alguns membros da igreja, sem falar de sua tia também religiosa.

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Mesmo sem o consentimento da família Gonzáles, até mesmo, manipulando a história da menina Alexia, o diretor Fesser tinha todos os ingredientes para transformar sua produção em algo fenomenal e tocante, mas a estrutura do filme acabou sendo violentamente abalada pela pior das ideias utilizada para desenvolver um roteiro: o fanatismo religioso. Ideia esta que, se não fosse utilizada, a produção teria se destacado de uma forma tão grandiosa que acabaria se tornando digna de um Oscar. Entretanto, a forma pela qual o fanatismo foi empregado no enredo, acabou por tornar o filme até mesmo chato e sem o menor senso de realismo.

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No mundo cinematográfico se sabe que produzir um filme tratando do tema fanatismo, seja ele religioso, político ou até mesmo cultural, pode ser algo bem interessante, citando como exemplo o filme O Mestre de Paul Thomas Anderson. Falar sobre algo empregando a religião sem o tom exagerado da crença, também, é algo que vem dando certo, citando por exemplo, os filmes de Alex Kendrick como o famoso Desafiando Gigantes. Contudo, fazer um filme empregando o referido fanatismo pode acabar transparecendo para o público, algo exagerado, apelativo e até doentio por perder o foco na história da personagem, por mais que a personagem real, Alexia, tenha lidado com pessoas extremamente fanáticas durante a sua vida. Tal fato não poderia ter ganhado destaque no filme, pois vemos em Um Caminho de Luz uma personagem principal que, além de lutar pela vida contra uma grave doença, precisa lidar com o distanciamento de seus pais devido a religiosidade exagerada de sua mãe, irmã e tia, sem falar da injustiça sofrida por seu pai que conseguia ver toda aquela situação com outros olhos, de uma forma mais humana e delicada e sem desvalorizar sua crença em Deus.

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Todos esses fatores empregados no filme contribuíram para a desvalorização do enredo e a perda do foco em cima da personagem principal. Uma história delicada como esta precisava de toda uma técnica bastante peculiar e imparcial. É isso que tornaria uma produção deste gênero realmente impressionante.

Trailer do Filme: