Aqui começa uma tentativa de estabelecer um contexto.

A literatura é forma mais bela, mais efetiva, de se eternizar uma história. O cinema se aproxima muito dela. Curiosamente, essas duas formas de expressão artística, em proporções diferentes, passaram por uma jornada que vai do analógico ao digital. Igualmente, causaram resistência de seus amantes frente ao avanço da efemeridade da digitalização.

É muito fácil apontar os benefícios do cinema digital. Claro, as histórias de empresas que sumiram junto com a substituição da película por um cartão de memória, dos técnicos de revelação que perderam seus empregos, dos editores que tiveram que reaprender seus ofícios, nunca nos são contadas. Mas esse texto é mais sobre livros do que agruras da jornada cinematográfica.

A digitalização de livros pôde ser percebida mais rapidamente pelo público, principalmente em países que o índice de leitura anual é alto. Diferente do cinema, o processo do escritor não precisou mudar, o que mudou foi a forma de consumo. A matemática é simples: se os recursos gastos são menores, o preço final também é. Um livro digital custa – ou ao menos deveria custar – menos que um físico. Não demorou para o resultado dessa conta colaborar, nos últimos dez anos, para que centenas de pequenas livrarias (algumas grandes também) fechassem ao redor do mundo. Até profetizaram que seria o final do livro como era conhecido.

‘Welcome To The Last Bookstore’, diferente do que o nome implica, não é exatamente sobre uma, ou a última livraria. É sobre um homem, Josh Spencer, que tinha muito pouco, quase nada, mas deu-se o direito de apostar em uma paixão: velhos livros.

Welcome to The Last Bookstore from Chad Howitt on Vimeo.

Este curta documental exemplifica com perfeição como é possível, além de necessária, a abordagem de não-ficção dentro dessas narrativas curtas. Podemos observar como uma pequena ação desencadeou uma série de eventos positivos, que moldaram não só o personagem dessa crônica moderna, mas as pessoas ao seu redor e a cidade onde vive.

Temos contado estórias uns aos outros desde que aprendemos a nos sentar, por necessidade, ao redor de fogueiras noturnas. Essa tradição oral perdurou por anos, imutável; e é assim que aprendemos sobre as coisas, sobre os outros. É assim que aprendemos sobre nós mesmos.

Um Curta Por Semana é a coluna dedicada a divulgação de narrativas curtas, tão essenciais a construção da sétima arte.