UM ESTRANHO NO NINHO

Há quase 40 anos que se completarão ano que vem, este clássico se impõe por duas razões distintas. A primeira porque foi uma produção que justificou todos os conflitos de sua época, como reflexo das manifestações anti-opressão, guerras e como manifesto contra-cultural funcionando harmoniosamente, pois estamos falando dos conturbados anos 1970. Watergate, Vietnã e a Guerra Fria, uma era de contestação e descrédito nas figuras de autoridade. O romance de Ken Kesey é interpretado no teatro anos antes por Kirk Douglas que detinha os direitos, mas foi incompreendido por um público ainda embalado por um otimismo de classe média. Quando seu filho, Michael manda o livro para um diretor checo desconhecido, torna-se possível a segunda razão, Um Estranho no Ninho continua atual. Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson) é um rebelde nato, um detento que burla o cárcere fingindo loucura, até conhecer a burocracia e o controle institucional do sanatório onde se torna interno. A edição primorosa funciona como uma partitura em cenas milimétricas dos conflitos entre os internos e a monstruosa enfermeira-chefe, Mildred Ratched (Louise Fletcher), o símbolo maior do controle. Oque assusta não é ela, mas o poder por trás de sua figura, a grande antagonista de McMurphy que desafia as rotinas de medicamentos, direito a televisão, ou aos horários de recreação. O filme ganhou merecidamente os 5 Oscars principais catapultando a carreira de Jack, que dedicou o prêmio a seu agente que não acreditava mais em sua carreira vinda dos filmes B. Merece estar na prateleira por todos os motivos citados, mas principalmente por expôr a importância do homem comum diante do Leviatã do estado.