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Ultimamente assistir uma comédia nos cinemas requer uma certa coragem afinal grandes lançamentos do gênero durante os últimos anos não obtiveram muito sucesso, seja pelo seu péssimo roteiro, ou pelo humor escrachado ” Vizinhos” chegou aos cinemas nesta quinta para elevar o nível do gênero e reviver as risadas nos cinemas.

Seth Rogen e Rose Byrne vivem um casal de pais de primeira viagem, que aspiram tranquilidade. Então, eis que chegam seus novos vizinhos, integrantes de uma república, liderados por um jovem, interpretado por Zac Efron. É aí que começa uma divertida guerra.
A grande questão em “Vizinhos” é que os personagens são pessoas reais, e não protótipos de pessoas perfeitas. O interesse do espectador começa com esse fator, o de identificação.
Mac e Kelly Radner possuem as preocupações de um casal normal, como trabalho, ter uma boa noite de sono, o questionamento de como será a vida deles depois de terem se tornado pais e outras mais. Já Teddy Sanders, o líder da fraternidade que se tornou vizinha do casal Radner, possui as preocupações de um jovem badalado, como dar as melhores festas e entrar para a história da fraternidade Delta Psi. Além disso, um ponto importante e bem interessante entra na história do longa, em relação ao futuro de Sanders, que deixou os estudos de lado para viver desta maneira. Esse fator é real na vida de muitos jovens. Está aí mais um ponto de identificação para o espectador.
Em sua atuação, Rogen não se esforça muito para diferenciar o personagem Mac Radner de seus personagens anteriores, mas isso está longe de dizer que o ator não fez um bom trabalho. Muito pelo contrário, Seth Rogen faz um ótimo trabalho como ator e também como produtor do longa.
Rose Byrne está hilária na comédia, interpretando Kelly Radner, fazendo da personagem uma mulher de personalidade, que é capaz de fazer tudo para o bem-estar de sua família, e faz isso de forma a arrancar boas gargalhadas dos espectadores.
Zac Efron faz de “Vizinhos” a largada para uma nova fase em sua carreira. O ator quis e conseguiu mostrar que “cresceu” e que não é mais aquele de “High School Musical” ou dos romances melosos que passou a fazer depois do musical da Disney. Com o novo longa, Efron ganha uma notoriedade forte no mundo cinematográfico, revelando um ator versátil e capaz de interpretar desde papeis dramáticos, até cômicos. Um ponto bacana no papel do ator, é o fato de que o personagem Teddy Sanders não é aquele vilãozinho típico que causa raiva no espectador, e sim um jovem que declara guerra de uma maneira hilária e ainda por cima é simpático e fiel aos amigos, o que o torna diferenciado.
O ator Dave Franco interpreta um personagem secundário, amigo de Teddy Sanders, mas possui influência do desenrolar da história. Franco se mostra bastante à vontade no papel e merece reconhecimento e um destaque especial na cena em que o ator interpreta o personagem Jack Byrnes, vivido pelo veterano Robert De Niro no filme “Entrando Numa Fria”, de 2000.
O diretor do longa é o britânico Nicholas Stoller, conhecido por “O Pior Trabalho do Mundo”, “Sim Senhor” e “Cinco Anos de Noivado”, que não agradou muito. Stoller volta em boa forma ao dirigir “Vizinhos”, o único erro cometido pelo diretor foi deixar de explorar algumas cenas. O roteiro ficou nas mãos de Andrew J. Cohen e Brendan O´Brien, que arrasaram, mas permitiram muitas reviravoltas na história, o que pode cansar alguns espectadores.
O longa possui cenas de sexo e tudo mais, porém isso acontece de um modo interessante e bem similar ao que acontece na realidade, como um pai de família dono de um corpo desprovido de músculos e tanquinho, com uma mulher bonita mas que tem seus seios inchados e nem um pouco sensuais quando os vê cheios de leite materno. “Vizinhos” chegou aos cinemas com uma mensagem importante, a de que uma boa comédia não necessita de vulgaridade.