SINOPSE

A vida de um homem se transforma após ter sua filha mais nova assassinada por um maníaco. Ele perde toda sua fé, até que recebe um convite anônimo para retornar ao local do assassinato e encontrar Deus para se livrar de tudo o que o atormenta.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Stuart Hazeldine

Roteiro:

John Fusco, Destin Cretton

Gênero:

Drama

Produção:

Summit Entertainment

Elenco:

Sam Worthington, Octavia Spencer, Tim McGraw

Nacionalidade:

EUA

Ano de Produção:

2017

Data de Lançamento:

06/04/2017

Distribuição:

Paris Filmes

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Item não avaliado

Maquiagem:

Item não avaliado

O livro “A Cabana”, escrito pelo canadense William P. Young foi lançado em 2007 nos EUA, chegando no Brasil no ano seguinte. Desde então a obra se tornou um verdadeiro sucesso ultrapassando 10 milhões de cópias vendidas. O filme “A Cabana” chega aos cinemas dez anos depois (tempo bastante longo para levar uma adaptação às telonas) e pretende narrar ao espectador o encontro de um homem com Deus.

Logo no começo do filme vemos o protagonista, Mackenzie (Sam Worthington), em sua infância nada feliz: sua mãe era constantemente alvo de seu pai alcoólatra. Após presenciar vários momentos de violência em casa ele resolve denunciar o pai na igreja que frequentavam. O resultado disso fora uma grande surra a decisão irremediável de Mackenzie: envenenar o próprio pai. Agora, já adulto, Mackenzie possui a família perfeita, uma esposa dedicada e amorosa e três filhos lindos e carinhosos. O reino está em paz. Até que, em uma viagem com os filhos, a caçula da família, Missy (Amélie Eve), desaparece.

Créditos: Divulgação

Não muito tempo depois descobrimos que Missy fora assassinada em uma cabana por um maníaco que há anos está foragido. A família toda é atingida por este baque, mas Mackenzie em especial mergulha em uma enorme depressão misturada de raiva e culpa.

Alguns dias depois da tragédia, uma carta sem remetente aparece na casa de Mackenzie convidando-o para ir à cabana onde tudo aconteceu e assinado por “Papa”. Este é o apelido que sua esposa e seus filhos usam para chamar Deus. Quando nosso protagonista finalmente retorna para o local do crime ele encontra três espíritos que o guiarão espiritualmente numa jornada cristã para entender o significado das coisas e renovar sua fé.

Sempre há muito pressão envolvida em qualquer adaptação, o espectador muitas vezes não compreende que ser fiel ao livro muitas vezes não é a melhor opção para que um filme seja efetivamente bom. “A Cabana” permanece bastante fiel à obra que o originou, entretanto muitos momentos que fazem do livro uma verdadeira catarse de fé e crenças se perde nas cenas mais essenciais do filme.

Créditos: Divulgação

A família Phillips, no começo da trama, é retratada de maneira perfeita, não há qualquer problema à vista, eles são tão bonitinhos que não possuem qualquer realismo. A direção de arte sinaliza isso através das escolhas de azul no filme. Todos os membros da família utilizam azul, e isso fica evidente na cena em que Nan (Radha Mitchell), a esposa de Mackenzie, encontra a família pela primeira vez depois de descobrir que sua filha mais nova está desaparecida. Isso mostra os membros em sintonia, mesmo que esta agora comece a se abalar devido a um acontecimento inédito na vida de todos eles e, portanto, cada um veste um tom de azul diferente.

A utilização do inverno nos momentos mais tristes e verão para os mais felizes e aconchegantes surge como uma escolha óbvia para um filme cheio de clichês. Mackenzie retorna a Cabana para buscar uma forma de sobreviver a tanto sofrimento. Lá, ele encontra Deus (Octavia Spencer), Jesus Cristo (Avraham Aviv Alush) e o Espírito Santo (Sumire). Destaque para a opção interessante de utilizar diferentes etnias para retratar a Santa Trindade. Uma mulher negra é bem diferente do Deus pintado e repintado através dos séculos como um homem branco.

Mas infelizmente o filme não consegue sair do esperado e decepciona em sua demonstração de “fé”. Se você assistiu “Silêncio”, dirigido por Martin Scorsese, entendeu muito mais sobre fé, crença e mudança, do que se assistir mil vezes “A Cabana”. O longa passa arrastado, os momentos vividos por Mackenzie são demonstrados como se a religião cristã fosse a Disney visualmente e o protagonista não possui o livre arbítrio que deveria ter. Pouca reflexão e uma boa dose de diálogos bem escritos e prontos, que não geram provocação ou maturação do pensamento do espectador.

Créditos: Divulgação

A direção de Stuart Hazeldine parece optar primeiro de tudo por segurança, nada de planos fora da fórmula já esperada. A trilha orquestra os momentos mais melancólicos e “profundos” para tocar o espectador.

“A Cabana” é mais um daqueles filmes que procuram tratar de desenvolvimento através da fé e religião, porém somente na superfície, como o plano final (Mackenzie toca com a ponta do pé a água do lago) evidencia.