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O ex-diretor de fotografia Barry Sonnenfeld acertou em cheio na direção da adaptação dos quadrinhos do cartunista estadunidense Charles Samuel Adams (falecido em 1988 aos 76 anos de idade) ‘The Addams Family’. Os personagens foram criados a fim de ironizar o modo de vida das famílias ricas e seus estranhos hábitos (um fato curioso é que, Gomez o personagem patriarca da família foi uma homenagem aos sul-americanos, pelo próprio Charles nos achar estranhos). Foram parar nos quadrinhos em 1937 e acabaram virando uma série de TV em 1964 quando o produtor David Levy, fã das publicações de Charlie decidiu produzi-lo (todos em preto-e-branco). Com o fim da série em 1966, um especial de Halloween foi ao ar 1977 (a cores), no qual mostrava os atores mirins da série já adultos e com filhos. Apesar de todo o esforço da produção – que utilizaram os mesmos cenários da série original, foi um fracasso. Aproveitando o sucesso que a série estava fazendo, em 1973, o estúdio da Hanna-Barbera não perdeu tempo e criou uma outra série, dessa vez em desenho animado, usando as vozes de alguns atores originais.

Mas, foi no início da década de 1990 quando o produtor Scott Rudin decidiu levar a sinistra família para as telas na melhor adaptação cinematográfica de todas. Com um elenco liderado por Anjelica Huston, o porto-riquenho Raul Julia (falecido em 1994 vítima de um derrame cerebral), Christopher Lloyd e a novata Christina Ricci, A Família Addams foi um sucesso de público e crítica na época de seu lançamento. Com um orçamento de 30 milhões de dólares, os Addams reaparecem com a mesma elegância, humor negro, sarcasmo e o jeito exótico e macabro que se manteve fiel ao original dos quadrinhos e da série.
A dublagem aqui no Brasil, ficou por conta do estúdio VTI, sitiada no Rio de Janeiro, com as marcantes vozes de Márcio Seixas, Maria Helena Pader e Adriana Torres. Assim como a dublagem que se harmoniza com os personagens, o elenco se encaixa perfeitamente com os personagens. Em 1994, ‘A Família Addams’ ganhou uma continuação tão boa quanto seu antecessor, numa produção que envolvia o mesmo diretor, elenco e no Brasil não podia ser diferente com a dublagem. No segundo filme, os Addams seriam mais uma vez, alvo de outra golpista: uma caçadora de maridos ricos que planeja roubar a fortuna da família se passando por uma babá.

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Crédito: Divulgação

Os Addams, como já conhecemos, recebem de braços abertos Gordon, um impostor se passando por tio Fester que estava desaparecido há 25 anos. Junto a ele estão o advogado da família e a mãe de Gordon, uma senhora que tenta persuadir e subestimar os parentes do verdadeiro Fester com o intuito de roubar a fortuna da família. Os trapaceiros só não contavam que, com o convívio, Gordon se afeiçoaria a família colocando em risco seus planos. O espectador se diverte aos montes com seus hábitos estranhos com cenas contribuídas com os ótimos efeitos especiais.

O roteiro da também produtora Caroline Thompson (que estreou como roteirista em ‘Edward – Mãos de Tesoura’), é bastante condizente com os efeitos visuais, porém sofrendo algumas alterações como a Coisa, a mão amiga que na série vivia enfurnada numa caixa preta, no filme ela anda, corre, dá piruetas e perambula pela mansão. No filme, Fester é irmão de Gomez, já na série Fester era tio de Mortícia. E por falar na “vamp” Mortícia, quem iria interpretá-la era a cantora e atriz Cher que estava querendo muito o papel. Mas, o produtor Scott Rudin deu preferência a Anjelica Huston. Porém, estes detalhes passam despercebidos pois toda atmosfera fúnebre foi criada propositalmente para ilustrar a macabra família, com uma fotografia expressionista (noir) dirigida pelo próprio Sonnenfeld (que faz uma ponta no filme como um passageiro de trem).

Os filmes ‘A Família Addams’, são também os mais famosos trabalhos de Sonnenfeld que já dirigiu os conhecidos ‘As Aventuras de James West’ e a trilogia ‘MIB – Homens de Preto’. Mesmo sendo reprisado diversas vezes na TV, estas versões da estranha família continuam sendo consideradas as melhores, bem como uma das duologias mais cultuadas.

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Crédito: Divulgação