SINOPSE

O cinema tem várias máximas, mas ainda assim, reluta em admití-las. A indústria cinematográfica depende exclusivamente da originalidade, para tornar tudo mais crível, ou pelo menos mais “palpável” durante sua duração. Seja com ‘A Série Divergente: Insurgente’, seja com a franquia baseada na obra de Suzanne Collins, uma das maiores discussões sobre as atuais adaptações de livros, persiste em como o argumento “original” é desenvolvido. No caso de ‘Jogos Vorazes’ é fácil identificar as semelhanças com ‘Batalha Real’ livro de Koushun Takami, que foi escrito alguns anos antes da obra de Collins.

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Mas e no caso da franquia ‘Divergente’? Bem, ao menos para Hollywood, não interessa se tudo se repete (de outra forma), mas sim, como isso é feito. No primeiro filme dirigido por Neil Burger (que agora atua como produtor), a contemplação da cidade (com ótimos planos abertos) e os personagens, eram essenciais para construção da história (situação essa, até certo ponto “inovadora” em termos de adaptações literárias). Já a continuação, dirigida pelo irregular Robert Schwentke, apresenta um foco maior na ação, enfatizando que o argumento original, foi saturado no primeiro filme. A situação fica ainda mais clara ao sabermos que entre um filme e outro, só se passaram 5 dias, aos quais parecem anos.

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Assim sendo, qualquer possibilidade de desenvolvimento da interessante história de Tris Prior (uma esforçada Shailene Woodley), acaba sendo simplificada, para se possa ver um show de excelentes sequências de ação, com uma clara e abrupta mudança (para melhor) dos efeitos especiais. A única razão que justifica a existência desse filme é o final, que mesmo corrido, apresenta uma excelente perspectiva para o terceiro e final capítulo da franquia.

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Se a mesmice da história e o ritmo irregular não ajudam, cabe ao elenco dar corpo aos personagens, com reviravoltas absurdas, mas críveis no que tange as atuações dos envolvidos. Dentre todos, os principais destaques são Milles Teller, com seu improviso e verborragia dignos de aplausos; e Kate Winslet, que uma vez mais, mostra-se um essencial para o desenvolvimento de quase todos os personagens ligados à vilã Jeanine (que o diga, novamente, o ótimo final).

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‘A série Divergente: Insurgente’ pode não ter mostrado evolução em relação ao original, lançado há cerca de um ano atrás. Ainda assim, demonstra que como qualquer obra que requeira uma continuação, precisa ganhar corpo, nem que para isso, tenha que retroceder, para depois avançar.

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A sociedade dividida, iminência de uma guerra civil, ou uma protagonista feminina “forte”, são elementos captados de outros filmes (em especial ‘Ender’s Game: O Jogo do Exterminador’, só que com ligeiras alterações). Pecar pela originalidade é até comum em se tratando da atual safra de roteiristas e livros. Cabe a nós torcer para que os produtores entendam que, esse segundo filme é um “trampolim” para algo maior, e não uma alavanca para uma bilheteria estratosférica.

Trailer do filme: