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A trilogia Poltergeist ganhou o seu espaço dentro do mundo dos grandes filmes de terror, não pela qualidade de seus efeitos, o que não eram de fato tão bons, nem pelo destaque dos bons sustos que cada filme dava, o que não eram nada especiais. A serie em si, foi realizada sob grande mistério envolvendo seus personagens e o cenário, bem como os objetos, que utilizavam.
Toda a série foi marcada por acontecimentos curiosos e terríveis que levaram muitos telespectadores a tentarem entender o que de fato acontecia por trás de cada produção.
Dentre assassinatos, mortes naturais quase que inexplicáveis, uma ar sombrio que cobria toda a produção, uma suposta maldição envolvendo os filmes, sem falar em esqueletos verdadeiros que faziam parte dos itens que formavam o cenário do primeiro filme, a série Poltergeist sempre despertará a curiosidade de quem tenta entender como tais eventos de fato sobrenaturais conseguem fazer parte de uma produção primária e, de certa forma, acompanhar as suas devidas sequências.

A análise a seguir, destacará as produções como um todo, em seus aspectos técnicos, pois embora exista todo esse mistério em torno dos filmes, isso não os torna necessariamente bons, muito menos clássicos.

“Poltergeist – o Fenômeno” (1982) – O filme dirigido por Tobe Hooper, o qual já havia dirigido o clássico “O Massacre da Serra Elétrica”, possui aspectos um tanto inovadores para a época, ainda mais disputando basicamente o número de telespectadores com um outro filme da mesma natureza e no mesmo ano, “A Entidade”.
A produção e roteiro realizados pelo já tão experiente Steven Spielberg, reuniu elementos que trazia para o mundo a primeira encenação de uma comunicação entre um ser humano e uma suposta força sobrenatural através de uma tv. A personagem Carol Anne, interpretada por Heather O’Rourke é o ponto chave desta obra, onde a mesma é levada a um mundo sobrenatural inexplicadamente, fazendo seus pais investigarem os fenômenos que aconteciam dentro da casa em que moravam.
Embora Spielberg se empenhasse quando a publicidade e na divulgação que o filme necessitava, há quem diga que o diretor de “Tubarão” e “E.T – O Extraterrestre” opinava demais no modo de dirigir de Tobe Hooper, há também quem foi além disso, garantindo que Spielberg não apenas opinava mas também dirigia o filme, algo desmentido pelo elenco em uma entrevista ao canal E – Entertainment Television em um documentário sobre a “maldição de Poltergeist”. E não ficou por aí! Fãs do próprio Spielberg garantem que o primeiro filme da série é sim dirigido pelo grande mestre do cinema, uma vez que determinados traços marcantes e pontos técnicos envolvendo a fotografia e até mesmo a posição da câmera, ao focar o rosto dos atores, são características bem presentes em seus filmes, ainda mais depois do que aconteceu com as futuras produções do diretor Tobe Hooper, onde, em nenhuma delas, pode se ver algo que lembre Poltergeist, nem mesmo a técnica de direção, completamente diferente, que o mesmo utiliza, aumentando a sua ridicularização no mundo dos filmes de terror. Acredita-se que Spielberg quis disfarçar a sua direção, uma vez que o gênero de Poltergeist não era algo que o diretor, supostamente, arriscaria em dirigir na época, ficando apenas na produção, pelo menos nos créditos.
Jerry Goldsmith produziu uma trilha sonora um tanto estranha mas agradável para o filme, onde se misturava o tom macabro do terror e o tom dramático que dava vida ao sofrimento psicológico vivido pela família Freeling nesta primeira produção. Efeitos visuais inéditos também tornaram esta primeira produção um verdadeiro fenômeno para os amantes dos filmes de terror.

“Poltergeist II – O Outro Lado” (1986) – Existe um ditado em Hollywood que diz o seguinte: “Pense duas vezes antes de fazer a sequência de um filme!”. Infelizmente, este ditado não foi seguido quando ousaram realizar a sequência de Poltergeist, quatro anos depois do lançamento do primeiro. Dizem os boatos que os escândalos envolvendo a produção, bem como os mistérios sobrenaturais influenciaram novos produtores a realizarem uma sequência, sem a aprovação inicial de Spielberg.

Dirigido pelo diretor inglês Brian Gibson, o filme conta a trajetória da família Freeling ao se mudar, fugindo dos traumas sofridos pelas forças sinistras que aterrorizaram suas vidas no filme anterior e que agora reaparecem mostrando o seu verdadeiro poder perante os humanos.
Na história, vemos a revelação de uma besta, o reverendo Kane, que tem o intuito de se apoderar da jovem Carol Anne. A dimensão em que o filme se desenvolve transparece um longa de terror comum e, de certa forma, sem ligação com o primeiro, uma vez que “poltergeist”, segundo a parapsicologia, é um fenômeno sobrenatural que provoca reações físicas e não tem ligação a uma possível força demoníaca ou um demônio propriamente dito, como é demonstrado neste segundo filme. Detalhe curioso que muitas pessoas não entendem é que o fenômeno sequer tem ligação a fantasmas.
Ao desenvolver o enredo, os produtores quiseram trabalhar com uma suposta segunda dimensão em torno do ambiente mostrado no filme, o que não ficou original, enfraquecendo a trama como um todo, sem falar nos efeitos sonoros mal produzidos, resultado de um orçamento ruim.
Falta de investimento em montagem de som e um alto custo com os efeitos visuais que, apesar de não tão especiais, renderam ao filme uma indicação ao Oscar nesta categoria.

“Poltergeist III – Capítulo Final” (1988) – O terceiro e último filme foi marcado por uma tragédia bastante sentida por todos os realizadores e elenco da produção, a morte de sua querida e carismática protagonista Carol Anne, Heather O’Rourke, momentos antes do filme ser finalizado.

Detalhe importante e estarrecedor é que, de fato, existiram muitas críticas negativas voltadas ao filme, mas até hoje nenhum crítico consegue, ao menos, opinar sobre qual deveria ter sido desenvolvimento do terceiro filme. Foi um risco que o então diretor Gary Sherman resolveu correr.
O filme se passa em Chicago, com Carol Anne indo morar com seus tios para frequentar escola para crianças problemáticas. Daí é perseguida novamente pela força maligna que a aterrorizou no passado, inclusive o reverendo Kane, ou pelo menos o “fantasma” dele.
Esta última produção conta com atores então queridos pelo público na época, como Nancy Allen, Tom Skerritt e a então estreante Lara Flynn Boyle.
Com efeitos diferentes dos seus antecessores, sem o tradicional tom escuro em que a série inteira trabalha e com um suspense curioso contendo boas cenas de susto, “Poltergeist III” pode não ser considerado um bom filme de terror mas tem o seu lado positivo. É o que pode se chamar de “filme divertido”, que pode sim chamar a atenção do público, mesmo não atendendo à temática traçada pela história original. Foi um verdadeiro fracasso de bilheteria comparado aos seus antecessores. A Saga Poltergeist estava terminada! Será que estava mesmo?

Anos depois da parapsicologia entrar no mundo do cinema, demonstrando sua técnica para desenvolver historias sobre fenômenos sobrenaturais, estudiosos lançaram olhares para a trilogia Poltergeist tentando desvendar o mistério em torno das três produções, o que chamou a atenção até mesmo de críticos que costumavam atacar a série. Daí se entendia que quanto mais sinistras ficavam as investigações sobre os filmes, mais fãs surgiam defendendo a trilogia, a qual também serviu como influência para muitas produções futuras que viriam a ser realizadas sobre o tema, inclusive para uma produção feita para televisão chamada “Poltergeist – O Legado” (1995), a qual não possui ligação alguma com a série original.