SINOPSE PEQUENA

No início da década de 2000, surge o tecnobrega, um ritmo originalizado no Pará que tomou conta da região nordestina do Brasil. Pernambuco foi uma das regiões que se rendeu ao tecnobrega e é nela onde vemos a rivalidade entre Jaqueline Carvalho (Maeve Jinkings de “O Som ao Redor”) e Shelly (Nash Laila “Tatuagem”). A rivalidade deve-se por conta de Jaqueline que não aceita que sua dançarina tente uma carreira de cantora. Além de vê-la como rival, Jaqueline não aceita que o tempo passou e o sucesso que fizera há anos não está mais presente em sua vida. Enquanto Shelly, tem admiração por sua oponente quer ter seu lugar ao sol. As duas apesar de tudo, são amigas. A frustação, o desejo e o cenário brega são o ponto forte do filme da pernambucana Renata Pinheiro, diretora de arte. Maeve (que teve que assistir duas vezes “A Malvada” filme que narra sobre uma contenda entre uma jovem querendo tomar o lugar de uma veterana) e Nash estão admiravelmente excelentes. A dupla de atrizes atua com uma peculiaridade tão distinta que não parece exigir muito de suas personagens.

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Cada vez mais assídua no cinema nacional, Maeva tem mostrado seu talento seja interpretando uma dona de casa irritada e deprimida, seja interpretando uma mulher de temperamento forte. Para viver a diva de uma banda tecnobrega “Amor Com Veneno”, a atriz teve que ir a shows das bandas famosas no Recife pois teria que tomar como referência os trejeitos eróticos que as cantoras costumam exibir durantes suas apresentações. Entre os primeiros minutos, a platéia presencia várias indignações de Jaqueline quando se mafnifesta dizendo coisas como ”Comecei de baixo, minha filha. Mas o dia que eu cantei a primeira música foi um estouro. Aí, começou o inferno. (…) Esse negócio de sucesso é descartável, feito um copinho de plástico bem vagabundo, quando tu tá usando ainda, ele se rasga todo. E tu vai usando até a última gota, até a última gotinha. O tempo vai, amassa mais ainda e joga fora.” Percebe-se de cara que ela não quer viver na sombra de um passado glamouroso e que agora almeja ainda mais a fama que é misturada com o medo de cair no esquecimento.

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“Amor, Plástico e Barulho” exibe a realidade de uma cidade suja já exibida em “Febre do Rato”. Também com cenas populares extraídas da internet, com mistura de cenas reais e do filme (com algumas cenas do clássico desenho do Pica-Pau) o universo da cultura musical da região do Nordeste é mostrado de maneira clara e sem preconceito. O roteiro da própria Renata e co-assinado por seu marido Sérgio Oliveira reflete também na dificuldade de um artista emergente querendo mostrar seu talento e na busca do sucesso. A crítica social, embora não seja tão focada também se faz presente na dosagem certa quando é flagrada os ambientes que são mostrados como a precariedade do local onde moram, as casas de shows e programas populares onde se apresentam ou até mesmo o camelô.

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Para quem torce o nariz para a área mais discriminada do Brasil, depara-se com os questões que cercam o filme e que poderiam passar em qualquer parte do país. Esta talvez seja a maior motivação para ser conferido por se tratar de uma obra que embora contenha pessoas de personalidades fortes é um retrato sensível que requer atenção daqueles que têm um olhar de hostilidade para quem desvaloriza e despreza algo do qual não se tem conhecimento.

Trailer do filme: