SINOPSE

Callum Lynch (Michael Fassbender) descobre que é descendente de um membro da Ordem dos Assassinos e, via memória genética, revive as aventuras do guerreiro Aguilar, seu ancestral espanhol do século XV. Dotado de novos conhecimentos e incríveis habilidades, ele volta aos dias de hoje pronto para enfrentar os Templários. Versão para as telonas do game Assassin's Creed.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Justin Kurzel

Roteiro:

Adam Cooper, Michael Lesslie, Bill Collage

Gênero:

Ação, Aventura, Ficção CIentífica

Produção:

Elenco:

Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons

Produção:

Nacionalidade:

EUA, França, Reino Unido

Ano de Produção:

2016

Data de Lançamento:

12/01/2017

Distribuição:

FOX FILMES

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Montagem:

Efeitos Especiais:

Montagem:

Efeitos Especiais:

Efeitos Visuais:

Direção de Arte:

Elenco:

asscreedinternational
‘Trabalhe na escuridão para servir a luz’.

RESUMO: Callum Lynch (Michael Fassbender) foi condenado a pena de morte por assassinato, mas é levado para um misterioso laboratório que desenvolveu uma tecnologia capaz de enviá-lo para uma missão no passado, o conectando com a ancestral que ele descobre ser membro de uma sociedade secreta de Assassinos durante a Inquisição Espanhola. A direção é de Justin Kurzel, escolhido a pedido do produtor Fassbender após terem trabalhado juntos na recente releitura da obra de Shakespeare ‘MacBeth’, em companhia de Marion Cotillard, que também está presente aqui em ‘Assassin’s Creed’.

QUAIS TEMAS O FILME TOCA?: Obviamente, o filme é inspirado no jogo de vídeo-game de mesmo nome que alcançou grande sucesso ao redor do mundo. Mas não é apenas isso. Durante sua história, ‘Assassin’s Creed’ fala sobre liberdade, sobre como no mundo atual as pessoas preferem distrações e qualidade de vida, mesmo que sejam controladas por governos autoritários e exploradores. No filme, esse controle do livre arbítrio do ser humano é representado pela ‘maçã do Éden’, objeto muito importante dentro da narrativa.

A Maçã do Éden A Maçã do Éden

ROTEIRO: Aqui vale ressaltar algo importante: desde o início da produção o diretor Kurzel declarou que queria uma história escrita especialmente para as telas. Muitos fãs mais fervorosos do game ficaram revoltados com os rumos que a história toma, mas eu (alguém que não joga) procurei analisar o filme apenas como produto cinematográfico. E infelizmente, ‘Assassin’s Creed’ é um filme com muitos problemas. O roteiro, escrito por três pessoas é um dos maiores deles. O segundo e o terceiro atos até que funcionam nos momentos de ação e revelações, mas o primeiro – que precisa estabelecer claramente o universo, personagens e motivações – é mal construído, impedindo que o espectador acredite nas motivações que movem o protagonista e também que entenda a importância da disputa entre assassinos e templários, cujo filme toca tantas vezes. Saíram notícias de que partes do roteiro foram reescritas após o início das filmagens e isso nunca é positivo.

PASSADO X PRESENTE: As cenas que se passam no passado e desenvolvem os momentos de ação do filme, são de longe mais interessantes do que as que se passam no presente. Além da reconstrução estética que é muito bem feita, há momentos realmente cativantes, como o juramento dos assassinos. Também pesa muito o fato de que as grandes sequências de ação estão no passado, enquanto no presente há uma espécie de trama política com tensão praticamente nula. E mais, um elenco com tanto potencial – dois vencedores do Oscar, Marion e Jeremy Irons e dois indicados ao Oscar, Fassbender e Charlotte Rampling – é completamente desperdiçado, pois os personagens são muito mal desenvolvidos. Embora eu entenda que Callum foi escolhido pela sua predisposição à violência (e pelo seu antepassado), produto de uma infância extremamente traumática que o filme mostra, a direção poderia ter desenvolvido melhor esse conflito interno do protagonista, para que o espectador compreendesse melhor o personagem.

FASSBENDER E ASPECTOS TÉCNICOS: Uma coisa que não podemos reclamar é a entrega de Michael Fassbender a esse projeto. O ator realmente se esforça para agregar intensidade e credibilidade ao drama sofrido pelo personagem, mesmo em cima de dilemas vagos e mal construídos, como mencionei anteriormente. Entre o restante do elenco, os personagens são tão rasos que infelizmente não dá para destacar mais ninguém. Os grandes elogios de ‘Assassin’s Creed’ vão para a concepção estética do filme, sem dúvidas. A produção consegue expressar visualmente o contraste entre a prisão apertada e sem vida onde os assassinos ficam com a liberdade saturada do mundo aberto, que reflete bem o desejo daqueles presos – naturalmente, o maior desejo de um preso deve ser ter sua liberdade de volta. O figurino é bastante caprichado e oitenta por cento do filme, incluindo cenas de ação e locações foram realmente filmados, sem o uso de CGI na pós-produção, e isso realmente fica visível na tela.

Fassbender se esforça muito e consegue salvar o filme de ser uma catástrofe total Fassbender se esforça muito e consegue salvar o filme de ser uma catástrofe total

DIREÇÃO: Justin Kurzel declarou que não queria fazer um filme de ‘super-heróis’, mas um filme de ação que parecesse o mais ‘humano’ e realista possível. Confesso que eu comprei o dilema do filme, durante toda a projeção eu consegui me manter interessado, mas principalmente pelo magnetismo de Michael Fassbender, sem ele o filme seria uma catástrofe total. Mas, deu para perceber que Kurzel sentiu a pressão de ficar à frente de um grande projeto em um estúdio enorme – ‘Assassin’s’ custou $130 milhões, enquanto ‘MacBeth’ havia custado $15. Embora tenha bons momentos, como um enquadramento que prenuncia o uso da tecnologia de volta ao passado em Callum quando ele ainda está na sua cela ou uma tomada aérea acompanhando uma águia que estabelece bem o universo onde ocorre a Inquisição Espanhola, as cenas de ação são mal enquadradas, impedindo que consigamos acompanhar com clareza os golpes. A decisão de em meio a um combate ficar alternando entre presente e passado também prejudica muito, pois já sabemos que na vida real Callum está socando e chutando o vento, isso não precisava ser lembrado a todo o momento – e porque não mostrar o salto da fé por inteiro? Sendo assim, a direção confusa de Kurzel contribuiu muito negativamente para o filme.

Bela cena que prenuncia a máquina que irá controlar Callum nas suas viagens ao passado Bela cena que prenuncia a máquina que irá controlar Callum nas suas viagens ao passado

CONSIDERAÇÕES FINAIS: ‘Assassin’s Creed’ não chega a ser uma decepção, pois minhas expectativas não eram lá tão altas para o projeto. Eu diria mais que é um desperdício, tanto de talento envolvido quanto de uma franquia que alcançou tanto sucesso ao redor do mundo obviamente por suas qualidades. Os conflitos do filme são pouco efetivos porque não parece haver muita aposta em jogo, então porque se importar? Embora tenha bons momentos, especialmente estéticos e com o auxílio da trilha sonora de Jed Kurzel (de ‘MacBeth’ e do próximo filme ‘Alien: Covenant’), que adiciona muita adrenalina as cenas de ação, as reviravoltas são apressadas e o filme sofre com a classificação etária livre – sendo que o jogo é para maiores de 18 -, pois muito impacto das lutas precisa ser cortado ou escondido, tirando totalmente a graça. Michael Fassbender e seu dublê Damie Walters, que saltou incríveis 38 metros para a execução do salto da fé merecem todos os elogios, apesar de serem talentos extremamente subaproveitados dentro do projeto. Um filme que funciona para quem procura um pouco de ação e aventura, mas que deve decepcionar bastante os fãs do game que tinham expectativas mais altas.

Assista abaixo o papo que tivemos com Damien Walters, dublê de Michael Fassbender em Assassin’s Creed para a realização do icônico Salto da Fé:

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