SINOPSE

Provavelmente o filme mais conhecido e assistido, dirigido por Miguel Faria Jr. é o ‘Xangô de Baker Street’ (2001), antes deste ele já tinha no currículo bons trabalhos como ‘Stelinha’ (1990). Mas, como documentarista ele ficou reconhecido por ‘Vinícius’ (2005), o documentário nacional de maior bilheteria dos últimos anos. Neste ano de 2015 ele retorna às salas de cinema com o longa-metragem ‘Chico – Artista Brasileiro’, que traz um retrato de um dos artistas brasileiros mais conceituados, na música e na literatura nacional.

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Apesar de ter participado de inúmeros documentários, como o já citado sobre Vinícius de Moraes, ‘Uma Noite em 67’ (2010), Mercedes Sosa, A Voz da América Latina (2013) ele ainda não tinha uma cinebiografia documental que resumisse sua vida e carreira. O mais próximo disso foi ‘Chico e As Cidades’ (2000), mas este já está quinze anos desatualizado, se fazendo necessário uma nova obra sobre este, que é um dos artistas com maior destaque na cultura popular brasileira. Muitos apontam Chico Buarque de Holanda como uma pessoa tímida e avessa a entrevistas, mas ele mesmo desmente isso no mais recente filme sobre sua trajetória e nas entrevistas que concedeu sobre diversas personalidades, seja da música ou de outras áreas, como em ‘Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro’ (2007), essas participações contradizem esses argumentos. Em suas próprias palavras “minha família já me chamava de ‘showboy’ quando eu era criança”.

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‘Chico – Artista Brasileiro’ relata sua história desde a infância mostrando fotos suas quando criança, até sua busca por seu irmão na Alemanha, que serviu de inspiração para seu último livro ‘Irmão Alemão’, publicado em 2014. Das influências de ser filho de um intelectual brasileiro, o começo da carreira como músico, o sucesso e a fama, os anos de ditadura e exílio, até sua reinvenção como escritor. Retoma suas parcerias com artistas como Caetano Veloso e Maria Betânia, suas obras como a peça ‘Roda Viva’ (1968) e a canção ‘Cálice’ (1973) e livros como ‘Estorvo’ (1991) e ‘Budapeste’ (2003).

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O longa-metragem foi construído com uma narrativa similar a de ‘Vinícius’, que intercalava entrevistas, imagens de arquivo e encenações. A diferença no filme sobre Chico é que ao invés de dramatizações estão presentes interpretações de composições por cantores como Mart’Nália e Adriana Calcanhotto. E como se trata de um documentário musical, não poderiam faltar apresentações do próprio cantor documentado, que introduzem e concluem o longa.

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Outra diferença importante entre os dois documentários de Faria Jr. é que o primeiro era sobre uma personalidade já falecida, onde a narrativa era conduzida exclusivamente pela montagem das imagens de arquivo, entrevistas e encenações. Neste segundo é o próprio “Chico personagem”, quem conduz o que está sendo contado. O ponto forte disso é que ele mantém a atenção do espectador com seu carisma, com sua voz ao cantar, seu talento como contador de histórias e com suas piadas, que muitas vezes ele não consegue terminar por causar um ataque de riso em si mesmo. O aspecto fraco, mas que não diminui significativamente a qualidade da obra é que essa pessoalidade faz com que as questões abordadas passem longe de qualquer polêmica. Ainda que o fato de o diretor ser amigo pessoal dele, permita que ele toque em temas mais sentimentais, como quando cita a ex-mulher Marieta Severo.

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Como o próprio título da produção audiovisual ressalta, Buarque é o típico “artista brasileiro”. Músico que transitou do Samba, para a Bossa Nova, depois para a MPB, aventurando-se com sucesso nas artes cênicas e nos romances literários. Fez parcerias com vários integrantes da Tropicália, conseguiu sobreviver à competição com a predominância do Rock, mantendo um público fiel. São exploradas, também, sua relação com a escola de samba Mangueira e sua paixão pelo futebol. Por todos estes aspectos o filme chega às telas de cinema com a missão, de além de apresentar a obra de Chico Buarque para novas gerações, repetir o sucesso do primeiro documentário de Miguel Faria Jr.