O capitalismo é um sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, cujo principal objetivo é o de adquirir lucro. Disso você já sabe, certo? Entretanto, você sabe como esse tema é abordado no cinema? Muitos filmes são lançados ao longo dos anos e a indústria cultural vem crescendo consideravelmente nesse âmbito.

É importante destacar que longas-metragens, de vários gêneros, são lançados em larga escala, sendo chamados de “Blockbusters”, filmes populares para muitas pessoas e que podem obter elevado sucesso financeiro. Estes tipos de filmes também podem ser de qualquer manifestação cultural ou que tenham um elevado nível de popularidade. O fato desses filmes serem produzidos em grande quantidade já demonstra uma diretriz do capitalismo exacerbado.

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O cinema tem apresentado de forma brilhante e divertida muitas histórias sobre a economia e suas repercussões. Desta forma, indiretamente, os filmes fazem algum tipo de apologia a esse sistema econômico ou a forma como é conduzido na atualidade. Este é o caso da animação ‘O Menino e Mundo’, lançado em 2013, e dirigido por Alê Abreu.

Por meio de uma imagem lúdica e bem elaborada, o longa faz uma crítica severa ao sistema, utilizando a estética minimalista, que ganha ainda mais vida com seu colorido vibrante. A animação acompanha a jornada do menino à procura do pai que saiu de casa em busca de melhores condições de vida para a família. Trata-se claramente de um filme infantil, entretanto, é considerado também um filme político, pois na trajetória do protagonista atravessam-se os diversos estágios que o capitalismo conheceu ao longo dos séculos. Um filme interessante que nos remete a vários tipos de reflexão.

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Além disso, podemos dizer que há uma crise financeira presente no cinema. Temas como desigualdade social, extorsões, paraísos fiscais, ambições, grandes fluxos de dinheiro são comumente explorados. A função desses filmes é ajudar a enxergar as sociedades dominadas pelo mercado – e as possíveis saídas.

E como investidores podem lucrar com a destruição do sistema? Este é um argumento muito bem abordado em ‘A Grande Aposta’, lançado em 2015, e dirigido por Adam McKay. Baseado no livro homônimo de Michael Lewis, o longa mostra como um grupo de investidores com acesso privilegiado a informações consegue utilizá-las de modo eficiente para lucrar com a quebra do mercado de instrumentos financeiros baseados em débitos imobiliários, chamadas de Obrigação Colateral de Dívida (CDO).

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Na trama, que se passa no ano de 2006, no auge da crise econômica no setor imobiliário dos Estados Unidos, os “apostadores” conseguem prever que o sistema não se sustentará e apostam, por meio da criação de um novo instrumento de seguro financeiro, os Credit Default Swaps (CDS) ou Trocas de Créditos de Falências – que os CDO’s perderiam valor por causa da inadimplência que apareceria com o aumento das taxas de juros flutuantes dos empréstimos para compra de casa própria. Estes empréstimos eram a base para a pirâmide de derivativos financeiros comercializados entre as instituições financeiras. Um grande exemplo de que o sistema influencia e muito nos dias atuais.

Conhecido por filmes polêmicos, Martin Scorsese também aborda o tema em seu longa ‘O Lobo de Wall Street’, lançado em 2014. Baseado nas memórias de Jordan Belfort, em um best-seller que leva o mesmo nome do filme, um corretor de títulos de Nova York dirige uma firma, a Stratton Oakmont, que praticava fraudes de seguro e corrupção em Wall Street na década de 1990.

De forma agressiva, o filme mostra que “tudo está à venda” em Wall Street. Incorreto ao extremo, ‘O Lobo de Wall Street’ aborda o Capitalismo como o principal responsável por destruir moral, família, amizades, dentre outros assuntos. Se por um lado, Scorsese utiliza um linguajar esculachado e cenas nada puritanas – como nus frontais -, por outro lado, o longa torna-se uma obra-prima, digna de ser assistida mais de uma vez.

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Além disso, é possível entender a crise financeira a fundo, por meio do documentário ‘Trabalho Interno’, dirigido por Charles ferguson. O longa, vencedor do Oscar em 2011, traz relatos sobre a crise econômica atual e investiga suas causas. A obra é dividida em cinco partes: “Como chegamos até aqui”, “A bolha”, “A crise” e duas partes sobre os desdobramentos da crise.

Como tornou-se um provérbio, cinema é a maior diversão. E no lado da economia, pode ser um forte aliado para o entendimento do sistema que opera ao nosso redor. Assim, entender o que se passa no lado econômico, político e social auxilia na compreensão de uma série de fatores que ocorrem no dia a dia e são expostos em filmes que abordam o tema. Não deixe de conferir!