A segunda temporada da série “Magnífica70” estreou dia 2 de outubro, e vai ao ar aos domingos, às 22h, na HBO. A série, que conta a história do censor Vicente e como ele se envolve com a produção nacional de cinema de 1973 em São Paulo, retorna com uma nova fase para a produtora da Boca do Lixo. Agora, os “Magníficos” precisam superar um momento conturbado no qual são chantageados para intregrar um esquema de corrupção junto à Embrafilme.

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Créditos: Divulgação

O Pipoca de Pimenta assistiu ao primeiro episódio dessa nova temporada e conversou com o diretor Cláudio Torres e os atores Marcos Winter, Maria Luísa Mendonça, Simone Spoladore e Adriano Garib.
“Um ano e meio depois”, é isso o que lemos logo no começo do episódio. Dora (Simone Spoladore) está sendo interrogada. Aos poucos entendemos que muita coisa aconteceu e os personagens sofreram grandes transformações. Manolo (Adriano Garib), tem dificuldades para lidar com o retorno de Dora para a produtora e se vê em um conflito criativo. Vicente (Marcos Winter) está dirigindo um filme de arte ao mesmo tempo em que mantém seu emprego como censor e Isabel (Maria Luísa Mendonça) tenta amenizar o retorno de Dora enquanto visita sua mãe que está no hospital.

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Muito do que aconteceu no passado com cada personagem é mostrado ao espectador em forma de flashback, as memórias em preto e branco e muito contrastadas servem de pequenos relatos expositivos que ajudam a história a se desenvolver, porém o uso excessivo desse recurso acaba tornando partes da narrativa explicativas demais. A câmera participa bastante do ponto de vista dos protagonistas, e a fotografia é cuidadosamente trabalhada com o uso de filtros que lembram a estética da película.
A personagem de Simone Spoladore, a Dora, está visivelmente transtornada. Durante todo o episódio ela vaga completamente chapada por todas as cenas, e esse comportamento foi um desafio para a atriz que teve que manter a sensualidade da personagem em conjunto com sua fase mais abalada.

A série também assume um compromisso histórico de retratar a ascensão da Boca do Lixo e como a ditadura intervia em todas as formas de produções artísticas. Esse tema coincidentemente torna-se muito urgente para o momento que vivemos agora no Brasil, daí a oportunidade para que esta segunda temporada consiga atingir um número ainda maior de espectadores.

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“Magnífica 70” faz parte de uma nova cultura de séries que, de pouco em pouco, vai compondo as produções nacionais. O diretor Cláudio Torres faz questão de frisar que sua maior preocupação está em construir um universo coerente, com personagens apaixonantes e torce para que a série possa durar o máximo de temporadas.