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Muitos outros atores que interpretaram vingadores tinham Bronson como uma grande inspiração para desempenhar seus papeis. Há quem diga que até personagens de histórias em quadrinhos, como o Justiceiro – The Punisher, Frank Castle, também tenham sofrido influência dos personagens de Charles Bronson.
A série “Desejo de Matar” (Death Wish), iniciada em 1974, teve um enorme sucesso ao longo de vinte anos com um total de 5 filmes que fazem a franquia.
Baseada no romance de mesmo titulo (Death Wish), teve seu papel principal oferecido, inicialmente, a Steve McQueen, o qual recusou. Charles Bronson acabou aceitando o papel que o consagrou, interpretando Paul Kersey, um arquiteto que decide fazer justiça com as próprias mãos, tornando-se um matador por vigilância após o assassinato de sua mulher.
Curiosamente, o nome do personagem, Paul Kersey, pertenceu a um figurante que aceitou disponibilizá-lo à produção sob a condição de aparecer no filme.
Outra curiosidade é que o primeiro filme da franquia teve criticas negativas pelo fato do mesmo defender a punição descontrolada e sem piedade aos criminosos, uma vez que o romance condena a ideia, tratando unicamente do sentimento de vingança e indignação sem todo o sensacionalismo existente no filme.

Os comentários a seguir contêm informações sobre o conteúdo dos filmes da série que podem não agradar a quem ainda não assistiu.

Desejo de Matar – O primeiro filme da franquia foi produzido com uma temática policial e, ao mesmo tempo, beirando ao suspense. Um roteiro bastante inteligente e direto, sem delongas. O filme consegue prender a atenção do telespectador que está torcendo para que o personagem de Charles Bronson, depois de iniciar a sua matança a criminosos, consiga chegar finalmente aos agressores e assassinos de sua esposa. A decepção fica, exatamente, por parte do não acontecimento deste fato pois o personagem Kersey não consegue encontrar os criminosos. De um modo geral, este aspecto apresentou-se bastante inteligente no decorrer dos demais filmes, pois criou-se uma espécie “maldição” para que o personagem não conseguisse mais sair dessa vida de matador e o levasse a sempre lutar pela justiça verdadeiramente “justa”, ou seja, a dele.

Desejo de Matar 2 – A segunda produção da franquia se apresenta com um elemento muito forte e impressionante, um tanto escandaloso para a época, a violência gratuita e sensacionalista. Nesta produção, Paul Kersey vai a procura dos assassinos de sua filha, trazendo o enredo para o gênero suspense policial, mesmo sendo vendido como um filme de ação.
A violência existente no filme é um tanto fora do comum, diga-se de passagem bem real, pois mostra, em uma cena de cerca de 8 minutos, um estupro da empregada do personagem, realizado pelos mesmos maníacos que violentam e assassinam a filha de Kersey. A cena foi tão impressionante que se quer fora exibida em tv aberta, podendo ser vista inteiramente apenas em DVD.
O filme, embora tenha um bom roteiro, não consegue superar o primeiro. Contudo, é claro, a elaboração do personagem de Charles Bronson, construído sob a imagem de uma pessoa fria, impiedosa, porém carismática, é o que salva toda a essência do filme.

Desejo de Matar 3 – O terceiro filme da série sai do suspense policial e passa a ser completamente do gênero ação. O sentimento de vingança, após o assassinato de um velho amigo faz com o que Paul Kersey desencadeie uma verdadeira guerra entre uma gangue de um bairro violento de Nova York e a população do mesmo bairro.
Com cenas divertidas, bem humoradas, também com cenas de ação marcantes, estas não por serem bem feitas mas por conter aspectos improváveis que só Hollywood consegue fazer, como o fato do personagem quase nunca ser atingido por um tiro depois de passar por uma chuva de balas. A produção não abandona a violência brutal, a qual é tão marcante em toda a série. Para os fãs de filmes de ação é praticamente impossível deixar de gostar de Desejo de Matar 3.

Desejo de Matar 4 – Operação Crakdown – Saindo um pouco da temática “perseguição de bandidos” e abrindo um espaço para o suspense investigativo em torno da guerra contra as drogas, talvez o quarto filme da franquia seja o melhor em termos de ação, mesmo com toda a tecnologia, ainda um tanto primitiva, da época. A produção carrega ainda um ponto marcante e global, pois aborda um problema enfrentado por muitos jovens em razão consumo de drogas na década de 80. O filme se torna ainda mais interessante pois foi um dos primeiros filmes policiais a mostrar em detalhes como uma organização criminosa consegue crescer em torno do vicio de muitos jovens em relação ao consumo de cocaína. Uma curiosidade é que o filme, em nenhum momento, mostra o ato de ingerir cocaína.

Desejo de Matar 5 – Existem franquias que conseguem manter o seu sucesso comercial até o seu último filme. Infelizmente, não foi isso o que aconteceu com o quinto filme da série, pois mesmo com todo suspense em torno da trama, o filme consegue se tornar exaustivo devido ao dramalhão desnecessário envolvido quanto à natureza do personagem de Charles Bronson. Em outras palavras, o personagem, depois de tanto sofrer com trágicas perdas, ainda terá muito problemas pela frente . Aliás, esse típico “dramalhão” sem nexo é o que conseguiu enfraquecer as ultimas produções estreladas por Charles Bronson, tornado-as verdadeiros fracassos comerciais. A trilha sonora é outro fator que só agrava a situação deprimente de Desejo de Matar 5. Percebe-se a vontade dos produtores em dar um final digno ao personagem Paul Kersey, já que o mesmo chega a perder a namorada, assassinada a mando do ex-marido e logo após se vingar, faz-se entender que Kersey tem a oportunidade de construir uma nova vida tendo a possibilidade de criar a filha da namorada assassinada.