SINOPSE

A vida de Elis Regina - indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos -, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. A trendsetter cultural que sinalizou a mudança de estilos de Bossa Nova para MPB, a "pimentinha" ardente (brilhantemente interpretada por Andréia Horta), que viveu uma vida turbulenta. Ao mesmo tempo em que se chocava com a Ditadura Militar no Brasil, ela lutou com seus próprios demônios pessoais. “Elis”, o filme, está imbuído da alma da cantora e do país que ela amava.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Hugo Prata

Roteiro:

Hugo Prata, Vera Egito, Luiz Bolognesi

Gênero:

Drama, Biografia

Produção:

Fabio Zavala, Antônio Irivan de Souza, Fabio Zavala

Elenco:

Andreia Horta, Caco Ciocler, Gustavo Machado

Nacionalidade:

Brasil

Ano de Produção:

2015

Data de Lançamento:

24 de novembro de 2016 (1h 55min)

Distribuição:

DOWNTOWN FILMES

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

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Elis Regina Carvalho Costa é uma das cantoras mais elogiadas de uma geração que popularizou o termo MPB (Música Popular Brasileira). Com uma das vozes femininas mais marcantes de sua época, “A Pimentinha” (apelido dado por Vinícius de Moraes), emocionou o Brasil com suas músicas e causou polêmicas num país que esteve sob ditadura militar durante toda a sua carreira. Neste ano de 2016 sua cinebiografia chega às telonas, dirigida pelo estreante em longas-metragens Hugo Prata e com Andreia Horta interpretando Elis Regina.

‘Elis’ (2016) aborda a carreira da cantora gaúcha, a partir de sua chegada com o pai ao Rio de Janeiro, em meio ao golpe militar de 1964. O filme não explora seus primeiros anos onde começou a cantar no Clube do Guri em Porto Alegre / RS e posteriormente no rádio, de onde foi contratada por um canal de TV para cantar num programa musical no Rio. Quem quiser saber um pouco mais sobre sua trajetória anterior ao que aparece no longa, pode assistir no “docudrama” da Rede Globo, ‘Elis Regina – Por Toda Minha Vida’, ou ler nos livros biográficos, como ‘Viva Elis’ (escrito por Allen Guimarães) disponível para leitura online no Portal Elis Regina, criado em homenagem aos 70 anos da cantora.

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Crédito: Divulgação

Hugo Prata, que anteriormente só havia dirigido episódios de series da TVE, como ‘Rá-Tim-Bum’ e ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, além de alguns videoclipes, apresenta uma direção competente para seu primeiro trabalho dirigindo um longa-metragem, mesmo que não apresente algo notavelmente mais “original”. O ponto forte do filme certamente está nas próprias canções de Elis Regina que embalam o longa e seguram a atenção do espectador, sempre que o ritmo da narrativa ameaça cair. Andreia Horta convence bem imitando os trejeitos de Elis Regina, ela fez aulas de canto e dança, para poder interpretar as músicas que foram inseridas posteriormente com a voz original de Elis, sendo que são poucos os momentos em que notamos que a atriz foi “dublada”, ainda que não passem despercebidos aos ouvidos e olhos mais atentos.

O maior problema do longa está nos diálogos em que Horta tenta emular a fala de Elis Regina, principalmente na pronúncia de algumas gírias e na sua característica rizada nervosa e por vezes debochada. Ainda que a própria Elis realmente tivesse uma forma de se expressar que soava um tanto exagerada, pronunciando algumas palavras de forma bem peculiar, quando a atriz tenta imitar fica um pouco artificial. Nada que atrapalhe demais o filme como um todo, mas é o suficiente para causar alguma estranheza para o público mais atento. Não é por falta de esforço que Andreia Horta não tenha encarnado a “perfeita” Elis Regina, o que talvez seja praticamente impossível, pois nem mesmo a talentosa Hermila Guedes o fez no já citado episódio da série ‘Por Toda Minha Vida’ sobre Elis Regina.

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Crédito: Divulgação

Fora nas cenas já discutidas, na maior parte do filme Horta se sai muito bem, justificando sua premiação como Melhor Atriz, no Festival de Cinema de Gramado de 2016. Ela se sobressai principalmente quando utiliza as performances baseadas nas que Elis aprendeu com Lennie Dale, aqui interpretado por um inspirado e quase irreconhecível Júlio Andrade, sem seus cabelos e com uma expressão corporal delicada. A escalação do elenco está muito “afinada” como um todo. Lúcio Mauro Filho faz um canastrão Miéle muito convincente e carismático, e Gustavo Machado um Ronaldo Bôscoli canalha, sedutor e elegante ao mesmo tempo, sem nunca exagerar nenhuma das características. Caco Ciocler (César Camargo Mariano), Rodrigo Pandolfo (Nelson Motta) e Zecarlos Machado (Romeu) se não se destacaram mais é por que seus personagens não o exigiram, por causa de seu pouco tempo em tela.

Os cenários, principalmente dos palcos em que Elis canta, nos transportam para o Brasil dos anos 60 e 70, musicalmente efervescentes e politicamente conflituosos. Uma pena que a edição teve que deixar de fora momentos importantes da carreira dela como o disco gravado com Tom Jobim, ‘Elis & Tom’, histórico registro da MPB. Considerando que ela viveu em um tempo em que todas as suas músicas foram submetidas a censura, impedida de cantar músicas de compositores como Chico Buarque é impressionante que isso não tenha abalado demais sua criatividade. Mesmo seus problemas com a ditadura foram pouco explorados, ainda que tenham sido retratados fatos, como ela ter sido investigada pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e posteriormente ganhado inimigos entre os intelectuais de esquerda, ao se apresentar em um evento dos militares, para tentar se desvencilhar da perseguição, foi tudo abordado de forma rasa.

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Crédito: Divulgação

Em 2013 Elis Regina foi eleita a melhor voz feminina da música brasileira pela Revista Rolling Stone e foi citada também na lista dos maiores artistas da música brasileira, ficando na 14ª posição, sendo a mulher mais bem colocada. Embalado pelas músicas da cantora, o filme é efetivo em cativar o espectador, porém o que mais faz falta para a cinebiografia ‘Elis’ alcançar a excelência é que ela tivesse um pouco mais da ousadia que Elis Regina tinha. Faltou mergulhar nos pensamentos da cantora, talvez explorar mais as circunstâncias e o estado psicológico que a fizeram morrer precocemente aos 36 anos de idade, por uma overdose de cocaína e bebidas alcoólicas.

Mesmo que tenha ficado um pouco raso quanto a representação da psique de Elis, o roteiro escrito a três mãos por Hugo Prata, Vera Egito e Luiz Bolognesi consegue amarrar as diferentes fases da vida da cantora de forma coesa. Aliado com uma edição que rima com cada música escolhida e uma fotografia que soube utilizar as sombras para valorizar a performance da atriz principal, ‘Elis’ é uma produção audiovisual com uma ótima qualidade técnica. Se o longa não conseguiu estar à altura da artista biografada não foi por falta de esforço de sua equipe de produção, talvez seja simplesmente por que era uma tarefa impossível para um único filme.

Em visita a Porto Alegre para divulgação do longa-metragem e para uma entrevista coletiva, após uma cabine de imprensa, Andreia Horta visitou a casa de Elis Regina no bairro IAPI, como você pode conferir no vídeo abaixo. Uma reportagem no mínimo inusitada, mas não menos interessante. Vale a pena conferir no link abaixo.