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Frank é um misto de comédia, drama e musical com direção de Lenny Abrahamson, diretor de filmes que quase nunca se ouviu falar: Adam & Paul (2004) e Garage (2007), praticamente ignorados. Este seu longa – também – independente com personagens bizarros poderia ter se tornado um filme-sensação se não tivessem algumas cenas desnecessárias e não tão interessantes. Mas não impede de levar um bom entrentenimento. Com certeza tende a agradar o público.
O personagem-título é um tipo de cara esquisitão que usa uma cabeça feita artesanalmente criada pelo seu pai. Líder de uma banda de rock, em que seus componentes também são esquisitos. O único que aparenta ser normal é John, que larga tudo para se juntar ao grupo. É ele quem narra o filme em off. A banda, claro, não poderia ter nome mais esquisito: Soronprfb. Difícil pronunciar. A trama segue com a admiração de John pela banda, querendo mostrar a todos que leva jeito pra coisa e a curiosidade pelo líder (e quem não teria?). Tudo isso, ao som de experimentos para as composições do álbum de estreia do conjunto.
Inspirado numa história real, por vezes torna-se debochado pelo fato de Frank conseguir fazer tudo o que qualquer pessoa faz com sua enorme cabeça. O carisma de Michael Fassbender (que ultimamente tem feito escolhas erradas junto ao diretor Steve McQueen) é que deixa o longa mais interessante e consegue interpretar um exêntrico sujeito no qual todos admiram. Se o filme não tivesse um narrador por trás da história, Fassbender conseguiria levar “Frank” nas costas. Não apenas por ser protagonista, mas pelo bom desempenho de Fassbender que é simpatia pura. Na verdade, o filme foi pontuado pela ótima atuação de Fassbender que consegue fazer um cara exótico que não conhece limites.
Na estreia do Festival de Sudance em 17 de janeiro de 2014, o público ganhou máscaras semelhantes a do personagem. Uma forma bem original de homenagear e assistir algo tão inventivo e inusitado. Após sua exibição, foi ovacionado e com comentários favoráveis.
Com roteiro de Peter Straughan (“O Espião que Sabia Demais”) é uma típica produção independente que mostra com nitidez que Soronprfb não teria tanto destaque se não tivesse a presença do seu espirituoso líder. Conduzido com competência, “Frank” mostra que mesmo sendo esquisito, liberal e cabeça, os personagens têm um sonho e uma meta a ser cumprida. Esta é uma comédia com situações hilariantes com ponto de partida original: o desejo de John de saber que é o cara por trás da cebeça de boneco. É isso que o torna mais interessante. A história é atraente e mostra o choque de culturas tão distintas (a dos integrantes e do narrador) quando o aspirante a músico ruivo se depara com as exêntricidades do grupo. Com a eficiência do elenco secundário, e por vezes com momentos clichês, o filme torna-se marcante principalmente por que rende boas risadas com um sujeito que só quem o entende é quem convive com ele.

Confira o trailer do filme: