Estreia hoje em circuito nacional a terceira parte de “Carros” da Disney/Pixar. Mais uma vez, o filme aparenta ser voltado ao público adulto, com piadas que dificilmente crianças entenderiam e numa sala repleta de pimpolhos e seus responsáveis lhes acompanhando, é possível que eles perguntem ”Do que estão rindo?”. Óbvio que como de costume, a Disney consegue atrair as crianças em seus filmes de animação com coloridos e ângulos que são muito bem editados. Nem isso tornou “Carros 3” atrativo, por ser pior que o segundo filme. Mesmo com a trama lenta e sem entusiasmo, seus personagens continuam carismáticos (mesmo com a pouquíssima aparição de alguns como o querido Tom Mate).

Dirigido por Brian Fee (dirigiu também “Carros 2”), o filme transmite lições de vida (que a Disney sempre fez questão de passar) com temas batidos, porém, interessantes mas que não oferece mais que isso. O roteiro de Kiel MurrayBob Peterson e Mike Rich, propõe alguns momentos até empolgantes, mas por ser arrastada para uma animação, torna-o um pouco fastidioso. “Carros 3” tem muita engrenagem e combustível o suficiente, mas lhe falta o principal: o pique.

Assim como o primeiro filme, a animação começa com uma corrida com o herói (da franquia) Relâmpago McQueen que está prestes a alcançar a linha de chegada e conquistar o primeiro lugar. Relâmpago sofre um acidente causado por Jackson Storm, um carro novato e cheio de energia. Após uma breve recuperação, McQueen consegue um novo patrocínio e é treinado pelo carro feminino Cruz Ramirez. Relâmpago se sente muito velho para disputar mais uma corrida e se depara com uma crise existencial. É Cruz quem o estimula e fala sobre frustração de ter abandonado o sonho de ser piloto por medo.

Com essa história pouco atrativa, “Carros 3” não apresenta nada novo, bem como deixa a desejar, pois é muita rotina para pouca ação, que decepciona aqueles que esperam corridas, boas sequências e o mesmo fôlego de “Carros’. Talvez, numa tentativa de emblemar uma personagem feminina e num filme infantil, onde num esporte voltado ao público masculino o carro amarelo Cruz divide um espaço de heroísmo e, ao mesmo tempo, empodera o feminismo. A ideia até funcionaria, mas infelizmente ela não se propôs a ser bem executada.

Quando se fala nos estúdios Disney/Pixar, não nos vem a cabeça a saga de “Carros”, que não é referência, mas mesmo assim, seria bem mais viável se deixasse os carros falantes apenas no primeiro filme. Aconteceu com DreamWorks Animation quando decidiu fazer sequências de Shrek”, “Rio”, “Madagascar” e “Como Treinar Seu Dragão” que também tornaram-se franquias desnecessárias. No caso, como a Disney é sinônimo de diversão e tem a opção de criar histórias aos seus moldes, fazer continuações é como se fosse uma espécie de saída para se salvar de alguma falência e “Carros 3″ não teria como tirá-lo de uma enrascada se fosse o caso.