SINOPSE PEQUENA

Reese Witherspoon foi a vencedora do Oscar 2006 por “Johnny & June / Walk the Line” de 2005 e quase dez anos depois obtém sua segunda indicação ao apresentar sua melhor performance como atriz até o momento. É quase impossível assistir “Livre / Wild” de 2014 e não comparar com “Na Natureza Selvagem / Into the Wild” de 2007, mas o mais recente, além de conseguir ser “Girl Power”, talvez tenha mais conteúdo social na bagagem. O diretor Jean-Marc Vallée, que em 2013 dirigiu “Clube de Compras Dallas / Dallas Buyers Club”, rendendo prêmios de melhor ator e coadjuvante para Matthew McConaughey e Jared Leto, neste ano pode ser que emplaque um prêmio da academia para uma atriz principal.

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O filme é a cinebiografia de um período da vida de Cheryl Strayed, que após o falecimento da mãe – interpretada por Laura Dern em uma atuação inspirada – começou a levar um modo de vida autodestrutivo. Após trair o marido, Paul (Thomas Sadoski) com diversos homens, utilizar heroína e suspeitar estar grávida de um pai desconhecido, ela resolve radicalizar para se livrar desta fase. Decide percorrer sozinha 1.800 km da Pacific Crest Trail, trilha que se estende da fronteira dos estados unidos com o México até o limite com o Canadá.

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Poucos afirmariam que os prêmios recebidos por Witherspoon em 2006, Globo de Ouro, Oscar, entre outros, não foram merecidos de alguma forma. Mas é evidente que Hollywood gosta de premiar jovens atrizes, como uma espécie de incentivo ao seu mercado. Alguns questionariam se foi o caso, no ano em que ela foi vencedora, assim como diz-se de outras, como Jennifer Lawrence em 2013. Porém no filme de 2014 (2015 no Brasil) o que vemos é uma atriz madura e em plena forma dramática, que faz jus a indicação, sem sombras de dúvidas.

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Assim como no longa-metragem dirigido por Sean Pen em 2007, a fotografia e as paisagens de Livre são bucólicas e expressam cada sentimento da personagem. Apesar de os dois se passarem em um cenário inóspito, em “Wild” o ambiente se torna mais agressivo, por tratar-se de uma mulher num local frequentado, na sua maioria, por mais testosterona. O irônico é que não é a vida selvagem que oferece o maior perigo, mas sim os próprios seres humanos masculinos, neste caso. Tememos que Cheryl possa ser estuprada cada vez que ela se encontra sozinha com um ou mais homens, preocupação que não tínhamos com Chris McCandless / Alexander Supertramp (Emile Hirsch) em “Into the Wild”, por motivos óbvios.

Isto pode nos fazer questionar o que é ser selvagem, são estes aspectos que tornam a jornada de Strayed mais carregada de significados sociais. Durante seu caminho vemos que o que ela carrega na mochila não é apenas o peso das roupas e materiais de sobrevivência, que quase a impedem de seguir em frente. O que mais pesa é a culpa e a sensação de impotência. A cada item que ela vai deixando pelo caminho para ficar mais leve é um passo a mais que ela segue em direção a aceitação de si mesma e das convenções da civilização.

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A direção de Vallée é muito competente em comunicar o que ele quer expressar. Cada movimento de câmera, como close-ups ou panorâmicas, transmitem momentos de reflexão ou solidão. Os flashbacks inseridos de modo não-linear e catárticos, em várias partes da edição, também expressam momentos onde os pensamentos da personagem aparecem sem sua vontade. Escolhas simples, como a verdadeira Cheryl transportando Reese – na cena de sua primeira carona, dando o início a sua jornada, gerando um tom metalinguístico – que confere credibilidade a obra, quase como se a protagonista real passa-se um bastão de cumplicidade para seu alter ego, preparando-a para uma experiência similar.

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A atriz principal vem de trabalhos menos expressivos nos últimos anos, como “Água para Elefantes / Water for Elephants” de 2011, “Amor Bandido / Mud” de 2012 e destacando-se novamente em “Sem Evidências / Devil’s Knot” de Atom Egoyan, também de 2014 e igualmente com uma atuação muito diferente das anteriores. É uma retomada na sua carreira de forma muito contundente e que provavelmente vai render novos bons trabalhos. Ainda neste ano, ela estará em “Vício Inerente” de Paul Thomas Anderson e já está confirmada no elenco de “Downsizing”, próximo filme de Alexander Payne . Ela vai disputar o Oscar de melhor atriz de 2015, com Marion Cotillard, Felicity Jones, Julianne Moore, Rosamund Pike e apesar de não haver uma favorita, não seria nenhuma injustiça se vencesse.

Trailer do filme: