SINOPSE

Lee Chandler é uma espécie de faz-tudo do pequeno complexo de apartamento onde vive, no subúrbio de Boston. Ele passa seus dias tirando neve das portas, consertando vazamentos e fazendo o possível para ignorar a conversa de seus vizinhos. Em suas noites vazias, Lee bebe cerveja no bar local e arruma confusão com qualquer um que lhe lançar um olhar. Quando seu irmão mais velho morre, ele recebe a desagradável surpresa de sua nomeação como tutor de seu sobrinho. De volta à sua cidade natal, ele terá que lidar com memórias queridas e dolorosas.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Kenneth Lonergan

Roteiro:

Kenneth Lonergan

Gênero:

Drama

Produção:

Elenco:

Casey Affleck, Michelle Williams, Lucas Hedges

Nacionalidade:

EUA

Ano de Produção:

2016

Data de Lançamento:

19/01/2017

Distribuição:

SONY PICTURES

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Item não avaliado

Roteiro:

Item não avaliado

Fotografia:

Item não avaliado

Trilha-Sonora:

Item não avaliado

Efeitos Visuais:

Item não avaliado

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Item não avaliado

Elenco:

Item não avaliado

Montagem:

Item não avaliado

Figurino:

Item não avaliado

Maquiagem:

Item não avaliado

manchester-by-the-sea-poster

RESUMO

Lee Chandler (Casey Affleck) é obrigado a voltar para sua cidade natal para cuidar de seu sobrinho (Lucas Hedges) e ajudar nos preparativos do funeral de seu irmão (Kyle Chandler). Nem um pouco à vontade com o papel de substituir o pai do garoto, vão surgindo conflitos que o fazem encarar os motivos pelos quais abandonou a cidade de Manchester. O filme está nas mãos de Kenneth Lonergan, um diretor e roteirista que ganhou muito destaque com seu filme de estreia ‘Conte Comigo (2000)’, indicado a dois Oscars – de Melhor Atriz e Roteiro Original. De lá para cá, Lonergan foi indicado ao Oscar pelo roteiro de ‘Gangues de Nova York’ e dirigiu apenas mais um filme, ‘Margaret’, um projeto ambicioso de 2 horas e meia, mas que não foi tão bem recebido. Após cinco anos longe das telas, Lonergan retorna com o profundo ‘Manchester À Beira-Mar’.

A CIDADE REALMENTE EXISTE?

Não confundam com a conhecida Manchester da Inglaterra, mas a cidade não só existe como se chama Manchester-by-the-Sea (título original do filme), localizada no estado de Massachussets, nos EUA. Como de costume no estilo do diretor, o filme toca muito nas relações familiares e como as pessoas reagem as tragédias que acontecem. Para mim, a essência de ‘Manchester À Beira-Mar’ é mostrar um personagem lutando para encontrar um caminho para a paz interior, tendo que superar traumas e lidar com o luto, uma das coisas mais difíceis que um ser humano pode encarar durante sua vida.

Randi (Michelle Williams) e Lee em um desconfortável reencontro Randi (Michelle Williams) e Lee em um desconfortável reencontro

O ENGENHOSO ROTEIRO

O roteiro esteve presente na Blacklist de 2014, dos filmes mais desejados que não conseguiram ser produzidos no ano. A ideia original para o filme veio de Matt Damon e John Krasinski (da série The Office), mas devido a conflitos de agenda Matt não pôde mais ficar com o papel principal – que felizmente caiu nas mãos de Casey Affleck – e nem dirigir o filme, deixando para Lonergan não apenas o roteiro, mas também a direção do projeto (Damon ficou como produtor do filme). Em uma combinação perfeita de roteiro, direção e montagem, o filme deixa de ter uma estrutura de três atos convencional para ir soltando ao espectador as explicações das ações dos personagens gradativamente, por meio de flashbacks. Sendo assim, a princípio o protagonista é uma total incógnita e não sabemos o tipo de pessoa que ele é, mas ao longo do filme vamos o conhecendo mais e mais profundamente. Não dá para dizer que é genialidade, mas demonstra uma engenhosidade incrível de Lonergan como contador de histórias, pois assim ele sai do drama óbvio para trazer algo que nem todo espectador está habituado.

[Atenção ao diálogo na cena de abertura do filme Atenção ao diálogo na cena de abertura do filme

HUMOR NEGRO E CONSTRUÇÃO DE EXPECTATIVA

Manchester é uma cidade muito pequena, onde há muitos pescadores, como eram os ‘Chandlers’. Embora com personalidades muito diferentes, o sobrinho bom de papo Patrick (Hedges) e o próprio Lee (Affleck, completamente introspectivo), carregam um mesmo traço de personalidade da família Chandler: o humor negro. Isso é muito interessante, pois não é algo que esperamos em um drama que toca em assuntos tão delicados como faz o filme. Mas, frequentemente tanto os personagens quanto o público acabam dando risada com algo que não deveria, e isso também traz um charme especial, pois há um alívio cômico para equilibrar. E nessa estrutura de mostrar e depois explicar, o filme constrói um suspense em cima do passado de Lee e vai construindo, construindo até uma cena que quando acaba parece atingir como um soco na boca do estômago, extremamente emocionante e pesada. É um momento tão impactante que depois disso nunca mais veremos os personagens da mesma forma.

Lee (Casey Affleck) e Patrick (Lucas Hedges), unidos pela tragédia Lee (Casey Affleck) e Patrick (Lucas Hedges), unidos pela tragédia

E O OSCAR VAI PARA…

Realmente Casey Affleck surpreende em ‘Manchester À Beira-Mar’. Não apenas em termos de atuação, pois quem já viu ‘Medo da Verdade’ ou ‘O Assassinato de Jesse James’ – pelo qual foi indicado ao Oscar – sabe da capacidade e do estilo de interpretação do ator, normalmente um personagem mais recatado ou passivo-agressivo. Algumas dessas características estão presentes em ‘Manchester À Beira-Mar’, mas o fator determinante para sua incrível atuação foi um papel onde pôde demonstrar todo o remorso, raiva, indecisão, honestidade, charme e humor peculiar que o personagem precisava, dentro de uma história incrivelmente bem escrita. O medo de ter de encarar o passado está estampado no seu rosto, as sutilezas de sua atuação fazem a diferença, como na cena do funeral, do interrogatório ou da discussão com Michelle Williams (que infelizmente aparece pouco, mas pontualmente). Lucas Hedges (como um rebelde, mas compreensivo adolescente) e Michelle, a propósito, estão excelentes também e talvez até mereçam figurar entre os indicados, mas Casey está num outro nível e merece levar a estatueta para casa.

[Aqui vemos Lee, pressionado no quadro reforçando estar em uma situação na qual não desejou Aqui vemos Lee pressionado no quadro, reforçando estar em uma situação na qual não desejou

DIREÇÃO E CONCLUSÃO

Como mencionei anteriormente, ‘Manchester À Beira-Mar’ tem uma montagem muito inteligente, que ajuda a criar ‘drama dentro de drama’ na história, fazendo o filme se encaixar perfeitamente. Tanto a primeira quanto a última cena, sintetizam perfeitamente toda a jornada que as mais de duas horas de filme irão nos contar. Quanto mais sabemos sobre os personagens, mais somos emocionalmente tocados, mérito também da trilha sonora pesadíssima, fúnebre e depressiva do filme. A direção de Kenneth Lonergan (que faz uma rápida participação no filme) é propositalmente paciente, o que pode afugentar alguns espectadores desavisados, mas vale a pena embarcar na trama pela catarse que ela pode proporcionar. As cenas são filmadas com crueza, naturalidade (as vezes até desconfortáveis e ‘estranhas’) e o clima frio da cidade ajuda a reforçar o interior do protagonista, precisando aquecer sua alma e exorcizar todos os seus demônios. ‘Manchester À Beira-Mar’ é um filme que comove por parecer tão real quanto a vida, um tocante retrato sobre perdas, culpa e encontrar um novo caminho em busca da paz.

E você, já assistiu ou está ansioso para ver? Concorda ou discorda da análise? Deixe seu comentário ou crítica (educadamente) e até a próxima!