Após o sucesso de Hereditário”, seu filme de estreia, o diretor Ari Aster se confirma como cineasta de gênero com seu novo filme de terror, “Midsommar”. O qual, a princípio contraria tudo que foi apresentado no primeiro. Este é um filme de cores vibrantes e campos floridos, enquanto o outro se passava em ambientes internos e sombrios. Porém eles compartilham a mesma estrutura, uma espiral ascendente, ou descendente dependendo do ponto de vista, de agonia sufocante que caminha para seu desfecho.

Após passar por uma tragédia familiar, Dani (Florence Pugh) embarca em uma viagem para Suécia com seu namorado Christian (Jack Reynor) e seus colegas de faculdade, Mark (Will Poulter), Josh (William Jackson Harper) e Pelle (Vilhelm Blomgren). Os cinco tem como destino Harga, uma comunidade fechada onde Pelle cresceu e onde a cada 90 anos um festival de 9 dias que comemora o solstício de verão, quando, nos polos ártico e antártico, acontece o chamado sol da meia noite, um fenômeno natural que faz com que o sol seja visível por 24 horas do dia.

A princípio a comunidade não aparenta ser nada além de acolhedora, mas logo seus rituais exóticos vão se tornando cada vez mais bizarros e são um indicativo do caminho que o filme está tomando. Mesmo que algumas coisas não sejam expostas até o final, quando reexaminamos a história é possível perceber que muito já havia sido revelado, porém o longa consegue equilibrar as revelações previsíveis com situações apreensivas e delirantes.

As longas tomadas dos campos abertos muito bem coreografadas com atores distantes da câmera, a mudança de foco que parece nos levar para perto e longe dos personagens e as ondulações psicodélicas na paisagem faz com que tenhamos uma fotografia completa de toda a situação e tenhamos a sensação de nunca ter visto algo igual.

Ainda que o culto pagão com rituais de sacrifício seja fonte de muitos momentos angustiantes, o filme é sobre Dani. É sobre seu desespero, sua necessidade de encontrar desculpas para o namorado negligente afim de manter o relacionamento e sobre o início da sua catarse. A sua angústia é palpável, quando ela começa hiperventilar na tentativa de afastar mais um de seus eminentes ataques de pânico o filme se torna sufocante. E muito do mérito em transferir essas sensações extremas é do elenco mais do que convincente, com destaque para Florence Pugh que parece genuinamente desesperada.

O ritmo bem determinado do longa se mantém em parte equilibrado, assim como seus elementos que variam entre o humor de natureza mórbida a excentricidade e o nauseante, porém, algumas cenas de nudez e elementos grotescos parecem ser desnecessariamente longas só pela necessidade de chocar, há também momentos em que o filme parece parar afim de observar os costumes da comunidade, e esses momentos acabam afastando o filme do que poderia ser mais interessante.

“Midsommar” é excêntrico, psicodélico, inquietante e até engraçado, mas não realmente assustador, o que não chega a ser um problema, este é um daqueles filmes aflitivos e igualmente hipnotizantes que conseguem te manter interessado até o fim.