Mr Turner

Há muito tempo se defende que o cinema europeu é tipicamente categórico em razão dos enredos mostrados em suas produções. O cinema inglês, por sua vez, apresenta uma particularidade mais considerável, principalmente no que diz respeito a filmes de época e, ainda mais, quando se tem um típico profissional chamado Mike Leigh por trás da direção.
Entretanto, os diretores ingleses devem aprender que um filme não pode ser produzido já com o intuito de torná-lo clássico.
Não há o que se dizer demais sobre o filme Mr. Turner. A começar, é um filme simples, nada tocante e um tanto diversificado sem um enredo extraordinário mas incrivelmente bem fotografado.

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Timothy Spall, o memorável Rabicho da série Harry Potter, é J.M.W Turner, um pintor impressionista, fascinado pelos efeitos da luminosidade do ambiente natural e artificial, ou seja, mar, paisagens e as cidades modernas da época.
Com uma vida quase nobre, o artista é um pai solteiro de duas filhas que não aparenta ter nenhuma atenção, muito menos amor, por elas. Além disso, o pintor tem um interesse discreto por sua criada e uma estranha relação com uma viúva.

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Para os adoradores desse tipo de estilo, o filme se torna poético, ainda mais numa época em que muitos pintores apresentavam suas obras, unicamente, para agradar à realeza do império. Turner, diferente dos demais, tinha um desejo de sempre se impressionar com as suas pinturas, mais do que qualquer um, o que o levava a dar um valor sentimental por todo o seu trabalho, bem maior do que aquele sentido pela sua própria família.
O filme foi indicado ao Oscar em quatro categorias e tinha uma força bem presente na categoria de figurino, nesta representado pela tão brilhante figurinista Jacqueline Durran, onde geralmente filmes de época e, ainda por cima ingleses, se destacam como favoritos para os membros votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

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Assistindo Mr. Turner, se pode sentir o gostinho de “quero mais” e uma certa revolta pela forma de dirigir dos diretores ingleses, bem como se pode sentir que, cada vez mais, os filmes ingleses do gênero drama e de época estão se tornando um tanto fracos para os norte americanos.
Neste sentido, faz-se necessário sempre colocar um pouco mais de emoção mesmo em cinebiografias, o que sempre chama a atenção dos telespectadores por desenvolver mais o enredo do filme.