Negócio das Arábias

Tom Tykwer é um diretor muito versátil e visual. Aja vista seu mais famoso filme que lhe deu visibilidade em Hollywood, o alemão ‘Corra Lola, Corra’ (1998) que utilizava boas ferramentas narrativas não-verbais com animações e “super closes”, zooms e linguagem pop, o que deu certo ar fresco ao cinema alemão muito cerebral até então. Em ‘Perfume – A história de um Assassino’ (2006) os atributos da direção de arte fielmente aplicada ao livro de Patrick Süskind deram uma das melhores adaptações de literatura contemporânea dos últimos anos.

Neste que agora promete ser uma leve comédia de encomenda, pois certamente o roteiro foi feito como uma luva para Tom Hanks, ‘Negócio das Arábias’ é uma adaptação do livro de Dave Eggers que acompanha o drama do deslocado executivo Alan Clay (Hanks), escalado para vender uma proposta de comunicação por holograma a um rei saudita. O problema de Clay está na letargia que sua vida tomou depois de uma demissão em massa da empresa que comandava, e um divórcio conturbado que tirou sua confiança, organização emocional e otimismo.

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Apesar das boas intenções do roteiro em usar o choque cultural como cerne do conflito do personagem para se encontrar, não deixa em momento nenhum de esbarrar em lugares comuns e até mesmo lembrar filmes anteriores do próprio Tom Hanks, como ‘Splash’, ‘Mensagem para Você’, ‘Terminal’ e outros, pois o recurso de terminar em romance água-com-açúcar fica inevitável.

Existem momentos cômicos bons, mas não hilários, e todos são por responsabilidade do coadjuvante Yousef (Alexander Black), um estereótipo do árabe típico que funciona como escape, mas não deixa de ser uma forma de empobrecer a imagem dos árabes a olhos americanos. O filme tenta ser politicamente correto quase o tempo todo em relação aos contrastes culturais de uma Arábia Saudita centralizada em poder econômico e atrasada culturalmente, em relação a uma América apagada e racional, evidente no próprio olhar de Clay.

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No final das contas a incerteza entre drama, comédia e romance denunciam um filme sem uma intenção clara, até mais da metade da projeção, onde Clay tem um envolvimento com uma médica saudita, quase uma linha forçada que o roteiro toma para não se perder.
Para uma sessão descompromissada, ninguém sairá perdendo.

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