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Vencedor do festival ‘É Tudo Verdade’ de 2016, o simples e aparentemente pessoal documentário de Sérgio Oksman se vale da força de planos longos e estáticos, com uma edição bem pensada como um bom filme de ficção. O reencontro do diretor com seu pai, Simão Oksman, um pequeno empresário de Campos Elísios em São Paulo foi uma forma de reconciliação de família após duas décadas de silêncio e dramas pessoais mau resolvidos.

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O clima monótono do registro do centro velho da capital é proposital, pois o contexto é a Copa de 2014, onde o país vivia um desânimo incomum após anos de frustrações com sua maior paixão, o futebol. A mesma paixão que une pai e filho ao ponto de assistir um dos jogos nas ruas externas ao Itaquerão, onde a câmera registra do banco traseiro do carro pequenas banalidades, e nos bares onde o velho Simão expressa no olhar sua dor e cansaço com uma falta de ar recorrente pelos anos de tabagismo.

Do plano de vista metafórico o filme se torna óbvio em sua proposta, o que dá força para a produção em se tratando dos resultados na vida do próprio diretor que vive na Espanha e estava desconectado das questões ligadas ao esporte no país, e de quem realmente é seu próprio pai, sempre na defensiva de um clássico velhinho que não expõe suas dores.

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Os momentos de silêncio gigantescos, ou de piadas mal-humoradas são os que mais dizem sobre a natureza do documentário. Um exercício entre a falsa naturalidade do cotidiano e a investigação de homem e ambiente, vazio existencial e solidão urbana. Não é uma produção excelente, mas válida por sua melancolia expressiva e pessoal, pois ao final são duas decepções que marcam a vida de Oksman; um esporte com falta de identidade no país, e um pai que se recusou a se conectar com sua própria família até seus últimos instantes, e ambos são suas lembranças de casa.