SINOPSE

Aos sete anos, Jesus vive com sua família em Alexandria, Egito, onde eles fugiram para evitar o massacre de crianças pelo Rei Herodes de Israel. Jesus sabe que seus pais, José e Maria, mantêm segredos sobre seu nascimento e o tratamento que o faz diferente de outros garotos. Seus pais, porém, acreditam que ainda é cedo para lhe contar a verdade de seu milagroso nascimento e seu propósito. Com a morte do Rei, eles resolvem voltar para sua terra natal, Nazaré, sem saber que o herdeiro do trono, o novo rei, é como seu pai e está determinado a matar Jesus, ao mesmo tempo em que ele descobre a verdade sobre a sua vida.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Cyrus Nowrasteh

Roteiro:

Betsy Giffen Nowrasteh, Cyrus Nowrasteh, Anne Rice

Gênero:

Drama

Produção:

Michael Barnathan, Chris Columbus, Mark Radcliffe

Elenco:

Adam Greaves-Neal, Sean Bean, Vincent Walsh

Nacionalidade:

EUA

Ano de Produção:

2015 / 2016

Data de Lançamento:

24 de março de 2016 (1h51min)

Distribuição:

PARIS FILMES

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Roteiro:

Fotografia:

Trilha-Sonora:

Efeitos Visuais:

Efeitos Especiais:

Direção de Arte:

Elenco:

Montagem:

Figurino:

Maquiagem:

O Jovem Messias

A história de ‘O Jovem Messias’ retrata Jesus saindo de Alexandria, Egito, a caminho de Nazaré. O filme aborda como José e Maria sustentam a situação de conviver com o escolhido por Deus, tendo que esconder os poderes do menino e não saciando todas as dúvidas de Jesus, que ao fazer seus milagres, fica sem compreender como e por quê eles ocorrem.

Sempre em época de Páscoa, filmes religiosos tomam as sessões dos cinemas à fim de satisfazer seus seguidores e admiradores contando histórias bíblicas. Em ‘O Jovem Messias’ a tentativa de contar a história da infância de Jesus não foi o bastante para obter um resultado positivo, nem mesmo a imponência de Sean Bean sustentou as falhas de roteiro e a fraca inspiração vinda dos livros de Anne Rice.

The Young Messiah 1

O filme é como o previsto, leve e com clichês vistos em todas as outras histórias já filmadas do gênero. Se você espera se surpreender com um olhar diferenciado sobre esses contos, esse com certeza não é o filme que você está esperando. Mas, se filmes como ‘Desafiando Gigantes’ e ‘Deus não está Morto’ te agradam, ainda existem poucas chances para o ‘O Jovem Messias’ na sua lista de promessas do ano. Com uma trilha de cantos líricos, arpas, tambores e violinos, o filme não se arrisca, e todo sentimento que ele quer dar é uma versão genérica do que deveria realmente ser. Com os piores antagonistas das últimas tentativas cinematográficas sobre a vida de Jesus, vemos um Diabo (Rory Keenan) numa caracterização de chacota, como se o ser da dúvida e da mentira fosse somente o príncipe da piada. Como um lobo que assusta crianças de até 13 anos, Lúcifer tem californianas no cabelo e uma barba muito bem-feita. E nem vamos lembrar do feito da maçã logo no início do filme, se aquela cena foi uma tentativa de maldade, pareceu mais uma cena que estamos habituados a vermos em ‘Chaves’ e sua turma à espera do Senhor Barriga, mas vamos pegar leve com o príncipe das trevas, pois Herod (Jonathan Bailey), o rei, é tão fraco e mal dirigido que nos assusta mais que o demônio, não da forma boa que deveria, mas pela sua péssima atuação e por vezes pecaminosa crise de não ser nada vilanesco, se tornando até cômico em alguns momentos. José (Vicent Walsh) e Maria (Sara Lazzaro) são as tentativas, mas não espere mais que isso deles, eles se esforçam, mas o material é muito superficial para o peso que deveria ser.

The Young Messiah 2

A direção de Cyrus Nowrasteh, edição e montagem, são muito mal executadas ao decorrer do filme, o descaso e a falta de envolvimento, em querer mostrar a história é visível. Pense, você tem o maior líder da história nas mãos, a criação desse ser é algo incrível, mas não, o filme fica perdendo tempo com milagres e não filosofias ou aprendizados. A repetição desse filme é degradante, o diretor repete atos diversas vezes, fazendo você se perguntar se aquilo é relevante ou se de fato ele acha que não temos a capacidade de entender que os poderes de Jesus curam e que a fragilidade de uma criança pode ser vista até no filho de Deus. A filosofia e os ensinamentos são pouco utilizados, uma das poucas partes em que o filme instiga interesse é nas duvidas de Jesus, numa abordagem que poderia ser desenvolvida brilhantemente, mas nunca se caminhava além disso. Ficamos estagnados em um garoto cheio de dúvidas para dois adultos que não podem responder, pois ambos não acham que o garoto suportaria a verdade, justificativa dada após José e Maria pedirem para o menino arquitetar um milagre.

The Young Messiah 3

Uma outra questão é que o “casting” de elenco do filme se preocupou tanto com a aparência de Jesus (Adam Greaves-Neal), que se esqueceu de averiguar algum talento no garoto, como se o personagem ser Jesus bastasse para você gostar dele e relevar toda a falta de emoção que o personagem carrega. Entretanto, o erro do filme é que o menino nunca cai na sua graça, e se o protagonista, o escolhido, o filho do dono, não faz você se preocupar com ele, é por que a construção do personagem é muito descuidada. Por outro lado, Severus (Sean Bean) tem imponência e presença, sendo o personagem mais relevante da trama, porém ele não tem muito material para atuar, fica sempre recebendo ordens de alguém que aparenta ter menos peso que ele, e em algumas cenas é visível que ele não queria estar ali. Os pontos fortes do filme são a fotografia muito bonita, com planos abertos enaltecendo sempre as paisagens, e o personagem do Tio de Jesus (interpretado por Christian McKay), pois ele é o pedaço mais agradável do filme, mas que levemente é esquecido conforme a história vai correndo.

‘O Jovem Messias’ é um filme preguiçoso, genérico, que não deixa seu público pensar, sempre coloca uma cena a mais querendo explicar o que houve, e quando não faz isso ele simplesmente vai manipulando como você deve se sentir a cada cena, e ele falha miseravelmente nisso. É um filme que fala sobre crença, mas o que ele menos tem é alma.