SINOPSE

Lucy Mirando (Tilda Swinton), CEO de uma poderosa empresa, apresenta ao mundo o "super porco", uma nova espécie animal descoberta no Chile, cuidada em laboratório, e 26 desses animais são enviados para países distintos. A ideia é que os animais permaneçam espalhados ao redor do planeta por 10 anos, sendo que após este período participarão de um concurso que escolherá o melhor. Após viver uma década com seu super porco fêmea, Okja, a jovem Mija (Seo-Hyun Ahn) está prestes a perdê-la e decide lutar para ficar ao lado dela, custe o que custar.

FICHA TÉCNICA

Direção:

Joon-Ho Bong

Roteiro:

Joon-Ho Bong, Jon Ronson

Gênero:

Drama

Produção:

Joon-Ho Bong, Dede Gardner, Jeremy Kleiner

Elenco:

Seo-Hyun Ahn, Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Paul Dano, Steven Yeun, Lilly Collins

Nacionalidade:

Coreia do Sul, Estados Unidos

Ano de Produção:

2017

Data de Lançamento:

28 de junho na Netflix

Distribuição:

Netflix

CLASSIFICAÇÃO

Direção:

Item não avaliado

Roteiro:

Item não avaliado

Fotografia:

Item não avaliado

Trilha-Sonora:

Item não avaliado

Efeitos Visuais:

Item não avaliado

Efeitos Especiais:

Item não avaliado

Direção de Arte:

Item não avaliado

Elenco:

Item não avaliado

Montagem:

Item não avaliado

Figurino:

Item não avaliado

Maquiagem:

Item não avaliado

Cannes vêm dando o que falar. Ano passado ficou marcado com o protesto brasileiro, e nessa 70ª edição do festival a polêmica foi em cima de duas produções da Netflix apresentadas na cidade francesa, trazendo a discussão sobre o sistema streaming acabar com o cinema. Se irá acabar, ou não, é outra discussão, já que ‘Okja’ consegue superar a polêmica com um filme cativante.

Dirigido e escrito pelo sul-coreano Joon-Ho Bong, ‘Okja’ continua a marca do cineasta de uma filmografia voltada a críticas sociais, que vêm desde seu primeiro longa ‘Barking Dogs Never Bite’ (1994) e é bem explorado até ‘Expresso do Amanhã’ (2013). O destaque do novo trabalho do coreano fica pelo texto preciso e bem escrito, equilibrado com uma direção belíssima e bem trabalhada, principalmente na mistura do elenco live action com a computação gráfica da criatura, trazendo uma naturalidade tão bela quanto a apresentada em ‘Mogli: O Menino Lobo’ (2016).

Com um ritmo diferente do acostumado de filmes de Cannes, Bong traz dinamismo e velocidade em certos pontos, mas não se afasta da forte crítica social, mais em cima das indústrias alimentícias e seus maus tratos aos animais do que da sociedade em si, apesar de trabalhar com extremismo em grupos específicos em um mundo tão diferente, mas nem tão distante do nosso atual.

Trazendo aqui uma relação de amizade e amor entre dona e bichinho, em níveis parecidos com o apresentado na clássica animação ‘Gigante de Ferro’ (1999), ‘Okja’ evolui ao tratar de um assunto indigesto, tanto em relação a parte humana quanto alimentícia e ganha destaque por fazer um filme família tratar de um assunto sério e realista. Com um incrível trabalho de direção de elenco, composto por Tilda Swinton, que já trabalhou belissimamente com Bong em ‘Expresso do Amanhã’ (2013), Jake Gyllenhaal, Giancarlo Esposito e Paul Dano, que aos poucos vai provando cada vez mais sua maturidade como ator, a jovem Seo-Hyeon Ahn conquista com uma atuação honesta e precisa de uma personagem guerreira e apaixonante.

Publicamente assumido como vegano após visita a um matadouro na Coreia, Bong friamente consegue transmitir seus sentimentos na tela, e provoca o espectador, mostrando aquele que seria o lado mais correto, e conclui com uma alegria individual, mas continua deixando o público de olhos abertos para o geral.

Da mesma forma que conseguiu trabalhar bem com o universo de ‘Expresso do Amanhã’ (2016), o mesmo é bem trabalhado no mundo (nem tão) real de ‘Okja’, mas os problemas também acabam sendo os mesmos. Apesar de um ótimo trabalho com a computação gráfica da criatura, como em ‘O Hospedeiro’ (2006), Bong peca em cenas de efeitos especiais, deixando aquilo que estávamos achando natural, algo falso. A porca geneticamente construída se destaca em meio a realidade da natureza e da cidade, e é bem equilibrada quanto as ações dos personagens, além de ser propositalmente esquisita, para passar a sensação de proximidade e ao mesmo tempo, de distância.

Pode ser que ‘Okja’ não mude a atitude de todas as pessoas, mas acaba provocando um pensamento, como um bom filme de Cannes acaba sempre provocando. Infelizmente, ‘Okja’ acabou ganhando uma atenção maior pela polêmica ao invés da discussão apresentada no filme. Enquanto a Netflix deve sim respeitar os critérios de Cannes, o festival poderia abrir as portas para trabalhos que estarão mais próximos do público, e não simplesmente em poucas e especificas salas de cinema, como é o caso de muitas produções do festival.

Mesmo com a discussão bem trabalhada e uma direção concisa, ‘Okja’ ainda é um filme simples e não demonstra tanto peso como obras mais recentes do festival como ‘Toni Erdmann’ (2016) e ‘Eu, Daniel Blake’ (2016). Bong inclui mais um belo trabalho em sua filmografia, com uma fábula de amizade em meio a uma sociedade gananciosa e industrializada. ‘Okja’ não vale a polêmica de Cannes, não só por ser um filme menor que outras produções do festival, mas também pelo fato de não existir necessidade de criticar algo positivo para aqueles que amam cinema. Quanto mais filmes assim estejam em nossas telas, seja ela da tv ou do cinema, melhor.

No final das contas, ‘Okja’ vale uma certa atenção, por todos seus pontos positivos e pela discussão trazida, principalmente daquela dentro do filme. Com uma bela história de amor e amizade, Bong provoca e abre os olhos para uma realidade que a população já conhece e sabe que, dificilmente, terá um fim definitivo.