Hoje, especula-se que Damien Chazelle possa se tornar um daqueles diretores cuja assinatura é capaz de levar multidões aos cinemas. Isso tudo tendo ele dirigido apenas três longa-metragens, sendo o primeiro deles, “Guy and Madeline on a Park Bench”, o seu trabalho de conclusão de curso em Harvard, em 2009.

É tudo bastante prematuro, é claro – até porque ele tem apenas 32 anos. Mas a causa do alvoroço é justificada. Em termos quantitativos, seu filme mais recente, “La La Land”, ganhou importantes prêmios, sete troféus apenas no Globo de Ouro. Neste mês, concorre em 14 categorias do Oscar, feito equivalente somente a “Titanic” (1997) e “A Malvada” (1950).

No entanto, o reconhecimento vem num filme com o qual os espectadores podem se identificar facilmente, por falar sobre sonhos, sacrifícios e fracasso. Três temas já trabalhados em “Whiplash”, em 2014. Três assuntos que Damien Chazelle compreende bem.

Um calouro como Andrew

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“De um modo geral, a minha emoção durante aqueles anos era de apenas medo. Meu professor me assustava muito. Ele gritava, xingava e insultava as pessoas, ou expulsava os músicos da banda. Até mesmo o olhar que ele dava para nós e o constante começar e parar de tocar, o procurar pessoas que estavam fora do tom…”, disse Chazelle ao Jewish Journal.

Qualquer semelhança com Andrew, o personagem de Miles Teller em “Whiplash”, não é mera coincidência. Damien conviveu com uma espécie de J. K. Simmons durante o Ensino Médio, quando tocava bateria. E esse relacionamento conturbado de alguma maneira moldou a forma como o diretor começou a correr atrás de seus objetivos daquele ponto em diante.

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Aos 18 anos, na época mais um calouro em Harvard, Damien conheceu Justin Hurwitz, um tecladista muito talentoso que, mais tarde, se tornaria seu grande parceiro no cinema. Juntos, formaram a banda Chester French, dividiram apartamento e, assim como Andrew em “Whiplash”, abriram mão de muitas festas na faculdade para desenvolver suas habilidades artísticas.

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É verdade que a banda não durou muito tempo, mas ambos continuaram incentivando um ao outro a melhorar cada vez mais. “Damien e eu criamos uma laço a partir de uma filosofia compartilhada de trabalhar pesado e se sacrificar. Eu lembro que fazíamos um ao outro se sentir culpado por não se esforçar o suficiente. E tínhamos muitas conversas sobre como gostaríamos de ser realmente bons no que fazíamos e o que seria necessário”, disse Hurwitz ao Harvard News.

Nessa época, Damien trabalhava dirigindo curtas para o Departamento de Estudos Visuais e Ambientais da universidade, enquanto Justin compunha em seu piano. De olho um no trabalho do outro, colaboraram pela primeira vez em “Guy and Madeline on a Park Bench”, espécie de precursor de “La La Land”, que fez sucesso no circuito de festivais em 2009. E, desde então, continuam trabalhando juntos.

Saindo de Harvard, continuou ambicioso. Ele tinha uma ideia ousada, que ninguém queria ouvir a respeito. Mas isso não o impediu de lutar por ela. Ele queria chegar em La La Land e faria o que fosse preciso para conseguir isso.

De uma série de “nãos” à aclamação da crítica

Durante o painel do The Hollywood Reporter Conversation on Creativity, Chazelle contou um pouco do processo que o levou de “Whiplash” a “La La Land”. Ou, melhor, de “La La Land” a “Whiplash”.

“Eu escrevi ‘La La Land’ antes de ‘Whiplash’ e a melhor coisa que me aconteceu foi todo mundo dizendo “não”. Durante anos tentando fazer ‘La La Land’ em Hollywood e todo mundo falando não apenas ‘não’, mas ‘por favor, vá embora, não queremos ouvir falar desse musical, não queremos ouvir sobre musicais originais ou qualquer coisa parecida com isso’. E eu acabei fazendo ‘Whiplash’ por necessidade, era um filme bem menor que consegui juntar o dinheiro para fazer. Mas todo o momento que eu estava fazendo ‘Whiplash’, eu tinha esperança que se ele não fosse uma merda completa, me daria algum tipo de passe para fazer ‘La La Land’. De alguma forma estranha, foi a minha salvação. Eu não tive que parar e pensar ‘qual o próximo passo?’, porque ele estava ali. Qualquer chance que eu tivesse, eu gastaria tudo em ‘La La Land’”.

Porém, até mesmo para fazer o filme que rendeu três Oscars, incluindo o de Melhor Ator Coadjuvante a J. K. Simmons, Chazelle teve que provar seu valor primeiro produzindo um curta. E, enquanto as ideias não saiam do papel, ele escrevia de tudo para pagar as contas, incluindo “O Último Exorcismo – Parte 2”.

“Eu adorava a ideia de que eu pudesse pagar uma conta escrevendo, achava milagroso. Eu escreveria literalmente qualquer coisa que me mandassem. No meu tempo livre, eu tentava escrever ‘La La Land’ ou ‘Whiplash’ ou algo que eu quisesse fazer eu mesmo.”, disse Chazelle no painel do THR intitulado Director Oscar Roundtable 2017.

A persistência pode ainda não tê-lo alçado (ainda) à categoria dos grandes diretores com quem conversava naquela mesa redonda, mas, ao menos, rendeu bons resultados. Se for premiado na cerimônia do Oscar no dia 26 de fevereiro, Chazelle será o diretor mais novo a receber esta honraria. Ele deixaria para trás Norman Taurog, que ganhou o prêmio por “Skippy”, em 1931, na época apenas 241 dias mais velho. É quase como um detalhe técnico, mas algo bastante emocionante para o diretor.

“Demorei muito tempo para acreditar – eu tive que perguntar literalmente três vezes antes de realmente acreditar. Estamos no hotel em Pequim promovendo o filme, então descemos até o quarto de Ryan e invadimos. Ele falava com a Emma no Facetime, então ficamos gritando um na cara do outro por alguns minutos”, contou ao repórter do THR minutos depois do anúncio das indicações. Na ocasião, ele estava com a namorada e parte do elenco, promovendo “La La Land”.

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Embora a cerimônia do Oscar mal tenha chegado, Chazelle já começa a trabalhar num novo longa-metragem. Repetindo a parceria com Ryan Gosling, o diretor pretende contar em “First Man” a história de Neil Armstrong, o primeiro homem a andar na lua. Vamos ficar ligados para ver o desenvolvimento da filmografia dele.

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