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Neste dia 14 de abril, um grande filme completou quatorze anos desde seu lançamento.

“Psicopata Americano”, escrito e dirigido por Marry Harron, baseado no romance de Bret Easton Ellis (que recebeu várias ameaças de morte após publicar sua obra) e estrelado pelo Vencedor do Oscar Christian Bale. O filme ajudou a inaugurar o Cinema do novo milênio de forma bastante interessante, de forma visceral e controversa. O comportamento do protagonista se tornou até exemplo utilizado em estudos de psicanálise e seus derivados, devido a não controlar sua agressividade e instinto sexual, temas que Freud já havia abordado. O filme não gerou polêmica apenas após seu lançamento, foi a segunda vez em dois anos que a Lions Gate teve problemas de aprovação do filme junto à MPAA, por conta de seu conteúdo controverso, caso semelhante ao do filme “Dogma”, de 1999.
Bale havia sido alertado por várias pessoas próximas a ele que aceitar um papel como o do psicopata Bateman seria suicídio para sua carreira, mas tal insistência em fazê-lo desistir, fez o ator querer o papel ainda mais. Bale provou estar certo, pois o personagem acabou se tornando seu principal até aquele momento da sua carreira, um rico investidor de Wall Street aficionado pelas músicas dos anos 80 (inclusive, grande parte do orçamento do filme foi gasto no pagamento aos direitos autorais de músicas de Phill Collins ou Huey and The News, ícones daquela geração). Um “truque” que foi bastante eficiente utilizado pela diretora Mary Harron foi que ela pediu a Willen Dafoe, que interpretava o detetive Donald Kimball, responsável por investigar os homicídios cometidos pelo rico sociopata, para atuar de três formas diferentes a cada cena, como se ele soubesse que Bateman era o assassino, como se ele não soubesse e como se ele não tivesse certeza disso. Depois editou as cenas juntas, dando ao público uma condição de insegurança e incerteza sobre a trama. Ambos atores têm atuações bastante sólidas e foram auxiliados pelo elenco de apoio com jared Leto, Chloe Sevigny, Reese Witherspoon e Josh Lucas, entre “outros.
Psicopata Americano” é em sua essência uma sátira, não com a mesma densidade da obra literária de Bret E. Ellis, mas que encontrou seu tom equilibrando terror, suspense e humor, ironizando temas como narcisismo, materialismo, inveja, misoginia e muitas outras hostilidades e discriminações sociais. Embora o filme tenha sido acusado de ser um conto de selvageria superficial e sem propósito, os olhares mais atentos conseguirão enxergar através da violência do filme, percebendo como a insanidade é algo perigoso perante a impunidade e a descrença da sociedade. Uma obra altamente recomendada a qualquer fã de Cinema que não tenha medo de se aventurar no universo sombrio e psicótico do interior humano.