Ainda que o cinema descenda da palavra cinematografia, que consiste em registrar as imagens em movimento, não podemos (e não vamos) limitá-lo ao aspecto visual.

A cinematografia nasceu muda por natureza tecnológica, mas os realizadores não demoraram (tanto) para perceber que algo faltava àqueles primeiros filmes. Se o cinema era extensão do mundo, como poderia ser então dotado de um silêncio absoluto?

Bandas e orquestras começaram a ocupar espaços nas salas de exibição e executar trilhas ao vivo, acompanhando a película que era projetada. Então, em 1927, ‘O Cantor de Jazz’ estreou com seus diálogos e músicas sincronizados a imagem e registrados na própria película. O público, maravilhado, descobriu que dali para frente não poderia ficar sem aquilo.

As atuações, a direção e a fotografia não alcançariam sua excelência e a história não seria bem contada sem o auxílio do som. A trilha sonora de um filme é composta por três elementos: diálogo, música e efeitos sonoros. É nesse último que mora a arte e a prática do foley.

Registrar os mais diversos sons já é por si só uma tarefa árdua e somando a isso as mais diversas situações impostas pela história a ser contada, a complicação aumenta exponencialmente. Muito do trabalho de áudio é feito na pós-produção.

Ainda que com o advento tecnológico nos permita, hoje, ter acesso à uma infinidade de bancos de efeitos sonoros, esses não chegam perto de atender todas as demandas de um filme. O foley é um trabalho sonoro feito ‘sob medida’, com o único propósito de servir àquela obra específica.

Carregando o nome do pioneiro na área, Jack Foley, a prática consiste em gravar efeitos sonoros, ao vivo e em um estúdio, sincronizados com imagens registradas previamente.

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Jack Foley, pioneiro dos efeitos sonoros no cinema

A arte da execução do foley é não chamar a atenção para si, mas conferir tal grau de naturalidade, que o espectador sinta-se imerso, que a ilusão mostrada em pouco se afaste do mundo real.

A complexidade (e a diversão) da tarefa entregue a esses ‘heróis não vistos’ pode se equiparar a própria ação e emoção que chega as telas do cinema. E é disso que trata o curta-metragem ‘Track Stars: The Unseen Heroes of Movie Sound'(1979) e que dá título a esse texto.

Dois ‘atores do som’ executam os efeitos em sincronia com uma cena de perseguição e luta. A intensidade dentro do estúdio é tamanha, que o espectador terá de escolher se é mais importante acompanhar a luta ou as peripécias entre os microfones. Confira: