Conversamos depois. Veja o filme primeiro:

Se você disse que “é assim mesmo” durante qualquer uma das situações vividas pelo personagem, incluindo as mais estranhas, você teve um breve episódio de empatia. Parabéns, você descobriu que não é especial. Nascemos programados para pensar que tudo o que acontece é apenas sobre nós mesmos, ocupando o centro de um universo com todo o resto nos orbitando.

A força deste curta, dirigido por François Jaros e selecionado para o Festival de Sundance de 2014, está (como sempre deve ser) na estória. Estória essa que transcende fronteiras linguísticas e assume uma característica universal. Ela existe como uma crônica da vida cotidiana. É de se pensar que nesse exato momento há uma enormidade de relações chegando ao fim, com o mesmo número de pessoas prontas para ocupar o papel do nosso protagonista. Em francês, inglês ou português, um coração partido é sempre um coração partido.

O sofrimento pós-término é uma premissa recorrente em umas tantas artes, nem de longe sendo algo exclusivo do cinema. O que traz originalidade a ‘Life’s a Bitch’ são as escolhas feitas no design da estória. Por que retratar um coração partido como uma comédia? Porque não é isso que tem a maior importância. Em menos de seis minutos, o filme condensa situações de um longo período de tempo, primeiro o sofrimento, depois a alegria, então o sofrimento mais uma vez. Nosso comportamento em relação a essas situações é que vira piada, o drama feito diante de algo que está além do nosso controle e que parece o fim do mundo, mas não é.

‘Life’s a Bitch’ tem o mérito de nos fazer rir de nós mesmos.

Um Curta Por Semana é a coluna dedicada a divulgação de narrativas curtas, tão essenciais a construção da sétima arte.